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Familiares e ativistas realizaram um ato na Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (28), para cobrar justiça pelas 122 pessoas mortas durante a Operação Contenção. A intervenção policial nos Complexos da Penha e do Alemão completou um ano marcada pela falta de respostas oficiais sobre os abusos cometidos pelas forças de segurança.
Durante a homenagem, Tauã Brito, mãe do jovem Wellington Brito, de 20 anos, criticou a discrepância na atuação policial entre áreas nobres e favelas. Ela lembrou que, no mesmo período, apreensões históricas de armas na Barra da Tijuca ocorreram sem que nenhum disparo fosse efetuado ou mortes registradas.
"Justiça não pode ser um privilégio de quem tem dinheiro, mora em condomínio ou ocupa cargo de poder", afirmou Tauã. A mãe relatou que tentou negociar a rendição do filho antes que ele fosse executado em uma área de mata, mas foi impedida pelos agentes de segurança pública.
Relatório aponta violações e falta de transparência
A denúncia das mães ganhou respaldo de um relatório da Human Rights Watch, que apontou indícios graves de execuções sumárias. A entidade revelou que 40% das vítimas foram atingidas na cabeça e 75% levaram tiros nas costas. Além disso, nenhuma das mortes foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais.
As famílias também criticam a participação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) nas investigações, já que o órgão aprovou o planejamento da ação. Até o momento, os parentes alegam que não tiveram acesso aos laudos periciais ou aos depoimentos prestados às autoridades.
Outras mães, como Maria Edvalda Cândida de Souza e Ana Paula Muniz, reafirmaram que a função do Estado é aplicar a lei, não executar. Elas desabafaram sobre a dor da perda e pediram agilidade do Judiciário para esclarecer a dinâmica dos homicídios cometidos na ação.
Jovens pedem investimentos e fim do medo
Moradores e lideranças locais destacaram que a violência policial não interrompeu a atuação do crime na região. O ativista Natan da Silva cobrou que a presença estatal seja focada em serviços públicos, cultura e projetos sociais para a juventude negra, em vez de operações letais.
A moradora Jéssica Soares de Oliveira alertou para o trauma psicológico gerado nas crianças da comunidade. Ela enfatizou que os moradores convivem diariamente com o medo e clamam por uma política pública de segurança que proteja a vida de toda a população de forma igualitária.
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