Familiares e amigos se despediram da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo nesta quarta-feira (22/7), em Belo Horizonte. A morte de capitã da PM chocou a corporação, com o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, marido da vítima, sendo o principal suspeito do crime.

O velório da oficial foi realizado na Capela da Funerária Dom Bosco, localizada na Rua Formiga, nº 82, no bairro Lagoinha, das 9h às 15h. O sepultamento de Michele Leão está agendado para as 16h, no Cemitério da Paz, situado na Região Noroeste da capital mineira.

Durante a despedida, Marlon Leão, tio da capitã, descreveu a sobrinha como uma pessoa "muito alegre, sempre divertida e amável". Ele destacou a dedicação de Michele ao filho, mesmo com as exigências de sua profissão na PMMG, buscando sempre estar presente nos momentos importantes.

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"Você pode pegar qualquer foto dela, qualquer imagem, qualquer vídeo, principalmente com o filho dela. Ela sempre se doou ao filho", afirmou Marlon, ressaltando o amor incondicional da capitã pela família e seu compromisso com a maternidade.

A trajetória profissional da capitã

Michele Leão ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais em 2004, construindo uma carreira respeitada e de destaque na corporação. Ela era casada há aproximadamente oito anos com o sargento Eduardo Abner, o principal suspeito de sua morte.

Ao longo de sua trajetória, a capitã buscou aprimoramento contínuo, realizando diversos cursos na área de defesa e segurança pública. Ela concluiu o curso de formação complementar de Multiplicador de Direitos Humanos, oferecido pela PMMG, e especializou-se em Docência do Ensino Superior pelo Instituto Federal do Sul de Minas (IFSULDEMINAS).

Acusações de relacionamento abusivo

A Polícia Civil investiga a hipótese de um relacionamento abusivo. Segundo depoimento da mãe da vítima, Michele vivia sob constante humilhação por parte do marido, que exercia controle sobre sua vida e praticava manipulação emocional de forma recorrente.

A mãe da capitã relatou ainda que Michele tentava, sem sucesso, colocar um ponto final no relacionamento, mas o sargento não aceitava a separação. O tio da vítima corroborou essa versão, afirmando que Eduardo Abner "sempre foi muito agressivo" com a sobrinha.

Prisão preventiva do sargento Eduardo Abner

Eduardo Abner teve sua prisão em flagrante convertida em preventiva durante uma audiência de custódia realizada na mesma quarta-feira (22/7). O procedimento ocorreu na Central de Audiência de Custódia da Comarca de Belo Horizonte (Ceac-BH), no bairro Lagoinha.

A decisão foi proferida pelo juiz Antônio Francisco Gonçalves, que considerou a "segregação cautelar necessária para a garantia da ordem pública". A pedido da defesa do sargento, o caso foi colocado sob sigilo pela Justiça, visando resguardar direitos fundamentais dos envolvidos. A defesa informou que irá recorrer da decisão.

Detalhes da investigação

O sargento Eduardo Abner foi preso em flagrante na noite da última segunda-feira (20/7), após levar a esposa, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. Lotado no 1º Batalhão da PMMG, ele estava detido no 34º Batalhão da corporação.

Em seu depoimento, o sargento alegou que ele e Michele consumiram bebidas alcoólicas e ecstasy. Ele afirmou que a capitã teria caído de uma escada após práticas sexuais consensuais envolvendo agressões e que, apesar disso, Michele recusou atendimento médico, vindo a óbito horas depois.

Contudo, a versão apresentada pelo sargento começou a ser contestada pela Polícia Civil. Exames preliminares no corpo da vítima revelaram múltiplas lesões, incluindo marcas compatíveis com chicotadas e um grave ferimento no rosto, contrariando a narrativa de uma simples queda.

A investigação também apura os relatos de familiares sobre um histórico de relacionamento abusivo. Além disso, durante o atendimento hospitalar, Eduardo foi flagrado tentando descartar uma caixa contendo 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira, o que resultou em uma acusação adicional por tráfico de drogas.

O caso segue sob investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que aguarda os laudos periciais para esclarecer completamente a dinâmica e as causas da morte da capitã Michele Leão Azevedo.

FONTE/CRÉDITOS: Elanilza Carneiro and Larissa Ricci