O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou uma rede de lavagem de dinheiro que expõe a ligação entre policiais militares e PCC na capital paulista. Segundo a promotoria, uma empresa registrada em nome da mãe e do padrasto de um tenente-coronel era utilizada para mascarar o pagamento por serviços de segurança privada prestados a dirigentes ligados à facção criminosa.

A companhia em questão foi fundada em 2013, com sede registrada na zona norte de São Paulo. No entanto, os familiares do oficial que figuravam como proprietários residiam no interior do estado, a mais de 500 quilômetros do local. Para os promotores, a estrutura visava ocultar a gestão do tenente-coronel, já que a legislação proíbe integrantes da Polícia Militar de administrarem atividades comerciais.

Esquema de segurança e movimentação financeira

A apuração aponta que os policiais garantiam a proteção pessoal de executivos das empresas de transporte Transwolff e UPBUS. Os repasses mensais, que começaram em R$ 30.905, chegaram a R$ 44.639,10 em janeiro de 2025, um aumento de 44%, mantido mesmo após a deflagração da Operação Fim da Linha.

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Principais pontos da denúncia

  • Envolvidos: Quatro policiais militares (um tenente-coronel, um capitão, um segundo-sargento e um terceiro-sargento da reserva), sendo alguns com passagem pela ROTA.
  • Operação: Os agentes organizavam escalas de trabalho e recrutavam outros policiais para a escolta privada dos empresários.
  • Valores: O contrato superou a marca de R$ 44 mil mensais no início de 2025.
  • Medidas judiciais: O MPSP solicitou à Justiça Militar a manutenção da prisão preventiva de três agentes e a decretação da prisão do tenente-coronel.

Provas e administração oculta

Em depoimento, a mãe do oficial confirmou que o negócio era gerido pelo próprio filho com o auxílio de um administrador contratado. O funcionário também declarou que prestava contas diretamente ao militar. Além disso, gravações de segurança registraram a presença do tenente-coronel na sede da empresa em janeiro deste ano.

Segundo o MPSP, a emissão de notas fiscais servia para conferir legalidade fictícia aos pagamentos. Diante dos indícios, os acusados respondem por organização criminosa, além de infrações por exercício de comércio por oficial e lavagem de dinheiro, cabendo à Justiça Militar julgar o caso.

FONTE/CRÉDITOS: Julia Gandra