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Em Ceilândia (DF), a Capela Santo Atanásio, ligada à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), realizou na noite desta quinta-feira (16/7) uma missa tridentina, celebrada em latim e seguindo ritos anteriores ao Concílio Vaticano II. A celebração, que reuniu cerca de 30 fiéis, ocorre normalmente mesmo após a recente excomunhão do padre Françoá Costa e de sua comunidade pelo Vaticano, conforme acompanhou o Metrópoles.
Ao chegar à capela, os fiéis são recebidos com orientações e livretos que auxiliam no acompanhamento das orações em latim e português. Mulheres, solteiras e casadas, utilizam véus brancos e pretos, respectivamente, cobrindo a cabeça, um costume baseado na tradição católica e na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios, simbolizando reverência a Deus.
O uso de celulares é proibido no local, e a vestimenta dos participantes é formal: homens em terno, e mulheres e crianças com vestidos ou saias longas, sem calças. O ambiente interno da capela é marcado pelo silêncio, com homens em trajes formais e mulheres em saias longas, reforçando o clima de recolhimento.
Antes do início da missa, o padre Françoá Costa atende confissões. O altar simples, com um crucifixo central, é adornado por imagens de santos e candelabros, criando uma atmosfera de devoção.
Os fiéis demonstram profunda reverência ao entrar, muitos com terços em mãos, rezando ajoelhados antes de ocupar os bancos. O silêncio é quebrado apenas por orações sussurradas, e o uso de celulares é restrito.
O padre Françoá Costa explicou que, após a celebração dedicada a Nossa Senhora do Carmo, haveria a imposição do escapulário e a aspersão de água benta. Receber o escapulário implica um compromisso espiritual, como orações diárias ou penitências.
Pontualmente às 19h30, o sino anuncia o início da missa. O padre, em paramentos dourados e acompanhado por coroinhas, entra pelo corredor central. Os fiéis se levantam e fazem uma leve reverência em sinal de respeito ao sacerdote.
Uma das características marcantes da missa tridentina é a posição do padre, voltado para o altar e de costas para os fiéis. Este posicionamento simboliza a caminhada conjunta da comunidade em direção a Deus.
A celebração é majoritariamente em latim, com os fiéis acompanhando através dos livretos. O Cânon Romano, oração eucarística central, é mantido em silêncio pelos participantes.
Uma fiel há um ano na comunidade relatou que, embora o latim possa ser estranho inicialmente, a dificuldade diminui com o tempo, especialmente com o uso dos livretos bilíngues.
“Estou fazendo um cursinho de latim para conseguir acompanhar com mais calma, mas, com o ordinário da Santa Missa, a gente consegue seguir a celebração porque o texto está em latim e em português”, explicou.
A missa segue a ordem tradicional, culminando na consagração, onde o sacerdote eleva a hóstia e o cálice, com os fiéis mantendo o olhar fixo no altar.
Na comunhão, os fiéis recebem a Eucaristia de joelhos, diretamente na língua, e retornam aos bancos para oração. Quem não comunga permanece sentado.
Ao final da missa, o padre e os coroinhas deixam o altar, e os fiéis fazem uma nova reverência. Alguns saem imediatamente, enquanto outros prolongam a oração.
Outra fiel acompanha o padre Françoá desde 2021, antes mesmo da fundação da capela em Ceilândia. Ela descreve a missa como o que sempre buscou, apesar do idioma.
“Quando participei da primeira missa, vi que era exatamente o que eu queria”, contou.
Ela reforça que o livrinho com o texto em latim e a tradução em português facilita o acompanhamento e a percepção da profundidade do rito.
Para ela, o padre celebrando de costas para a assembleia simboliza o sacrifício de Jesus, enfatizando que a missa é a participação nesse sacrifício.
Excomunhão e a FSSPX
O padre Françoá Costa foi excomungado pelo Vaticano devido ao vínculo da Capela Santo Atanásio com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Ele declarou a decisão como “inválida” e afirmou que continuará seu ministério.
O sacerdote declarou ao Metrópoles que não recorrerá da decisão do papa Leão XIV e que nem ele nem a comunidade se consideram em cisma, buscando preservar a comunhão com a Igreja Católica.
A FSSPX, fundada por Marcel Lefebvre, preza pela preservação das tradições católicas, incluindo a missa em latim e ensinamentos pré-Concílio Vaticano II.
O Vaticano alega que a FSSPX rejeita reformas do concílio e desafia a autoridade papal, gerando conflitos que levaram à excomunhão.
A excomunhão foi formalizada após sagrações episcopais sem autorização papal em 1º de julho, consideradas violação do Código de Direito Canônico.
A Arquidiocese de Brasília confirmou o cisma da Capela Santo Atanásio e do padre Françoá, declarando a invalidade dos sacramentos administrados no local.
Contudo, o padre Françoá argumenta que a legislação canônica prevê exceções e que ele reconhece a autoridade do papa, rezando por ele diariamente.
“Para nós, essas excomunhões e essas declarações de cisma são totalmente inválidas. Em consciência, não houve nem cisma nem excomunhão. A nossa vontade não é de nos separar nem do Papa e nem da Igreja Católica”, afirmou.
Ele assegura que a rotina da comunidade não será afetada, com missas, confissões, casamentos e batizados continuando normalmente na capela.
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