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A Justiça de Santa Catarina determinou que um casal pague R$ 100 mil de indenização por abandono afetivo ao próprio filho. O adolescente foi vítima de violência psicológica e expulso do lar em Jaguaruna após revelar sua orientação sexual, levando o Ministério Público a intervir no caso.
O jovem acabou acolhido pelo Conselho Tutelar em agosto de 2025. Além da condenação financeira, uma liminar obteve a remoção de conteúdos discriminatórios postados pelo pai nas redes sociais, sob pena de multa diária de R$ 2 mil.
Violência psicológica e descumprimento legal
A perícia psicológica revelou condutas autoritárias, rejeição e negligência no ambiente familiar. O laudo confirmou que o jovem sofria de profunda insegurança afetiva, gerada diretamente pelas atitudes intolerantes dos responsáveis.
Segundo o promotor Tito Gabriel Cosato Barreiro, da 1ª Promotoria de Justiça de Jaguaruna, a punição não se refere à falta de afeto, mas à violação dos deveres constitucionais e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Panorama da violência contra a comunidade LGBTQIA+
O episódio reflete uma realidade ampla documentada por entidades do setor. O Grupo Gay da Bahia registrou 204 homicídios e 20 suicídios de pessoas LGBTQIA+ em 2023, estimando subnotificação expressiva nos dados oficiais.
Além disso, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT) contabilizou 50 casos de violência entre janeiro e março de 2026, sendo 60% motivados diretamente pela LGBTIfobia.
No âmbito jurídico, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia ao crime de racismo em 2019. Posteriormente, em 2024, a Corte também igualou ofensas individuais contra a comunidade ao crime de injúria racial.
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