Pessoas com deficiência (PcDs) da Região Metropolitana de São Paulo enfrentam grandes dificuldades para reativar o cartão TOP Especial. O serviço de atendimento presencial, necessário após o bloqueio do benefício de gratuidade no transporte público, é realizado em apenas um posto localizado em Itapecerica da Serra, obrigando passageiros a percorrerem viagens longas e custosas.

A interrupção do benefício costuma ser desencadeada pelo sistema de reconhecimento facial, em vigor desde maio. Contudo, relatos de passageiros indicam que falhas na leitura biométrica, aproximar-se de forma inadequada da câmera ou a passagem do acompanhante antes do titular causam o travamento automático do passe sem um motivo claro.

Outro fator que resulta na suspensão do benefício é a utilização inadequada do documento por terceiros. Isso ocorre quando familiares usam o passe desacompanhados do titular para realizar tarefas essenciais, como a busca de medicamentos ou documentos para a pessoa com deficiência.

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Com a suspensão do passe, a reativação exige a presença do titular no único posto físico disponível, em Itapecerica da Serra, área de difícil acesso e distante dos trilhos de trem e metrô. Para residentes de Mogi das Cruzes, por exemplo, o trajeto de ida e volta ultrapassa 100 km.

Relatos de transtornos e altos custos

A centralização gera grandes transtornos e despesas. O pintor Horácio Alves Martins e a dona de casa Edines Oliveira saíram de Guarulhos com o filho Bernardo, de 6 anos, gastando R$ 400 em transporte por aplicativo e perdendo um dia de trabalho para reativar o cartão necessário para as consultas médicas da criança.

A ajudante geral Dirce Rocha, de 54 anos, enfrentou mais de cinco horas de viagem de ônibus e metrô partindo de Guarulhos. Já a dona de casa Edicleide de Jesus precisou se deslocar de Mairiporã até a unidade para regularizar a situação do filho Alexandre, de 12 anos.

Respostas oficiais e alternativa digital

Diante das dificuldades, a dona de casa Gisele Costa Santos, moradora de Franco da Rocha, acionou a Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e buscou apoio em redes sociais. Após a mobilização, conseguiu a liberação do cartão do filho via WhatsApp, por meio de um link de validação.

Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) e a Artesp informaram que acompanham a gestão da bilhetagem metropolitana. A agência destaca que dialoga com a operadora Autopass para ampliar os locais e os canais de atendimento aos beneficiários.

A Autopass informou que a biometria facial visa evitar fraudes e garantir o uso correto do benefício. Segundo a empresa, de 1,3 milhão de transações analisadas, 71.530 apresentaram desconformidades e 22.900 cartões acabaram bloqueados. A companhia ressalta que possui uma solução de validação digital pronta, dependendo apenas de autorizações governamentais para sua implementação.

FONTE/CRÉDITOS: William Cardoso