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A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu a influenciadora digital Ana Luiza de Nazaré Lima durante a Operação Narciso, acusada de liderar a venda de anabolizantes e fabricar substâncias clandestinas em Águas Claras, colocando em risco a saúde pública.
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão na residência da investigada, os agentes encontraram a chamada "agenda da bomba". O documento registrava detalhadamente os produtos comercializados, a lista de clientes e os valores exatos cobrados por cada entrega no esquema ilícito.
As provas colhidas pela investigação demonstraram que a suspeita tinha pleno conhecimento do perigo e da ilegalidade dos compostos que comercializava aos seus mais de 150 mil seguidores nas redes sociais.
Estrutura do esquema e atuação conjunta
A ação foi deflagrada pela Divisão de Defesa do Consumidor (Corf) da PCDF, considerada a maior operação do ano contra o comércio ilegal de substâncias proibidas no país. O esquema envolvia também o ex-marido de Ana Luiza, Alam Manoel Lima, que executava a logística de produção e entrega das fórmulas.
Enquanto a influenciadora utilizava seu perfil para divulgar o produto proibido "Yellow B" e compostos à base de testosterona — prometendo emagrecimento rápido —, o ex-casal usava um restaurante japonês em Ceilândia como fachada e ponto físico de apoio para distribuição por correios e motoboys.
Composição nociva e ostentação
A rotina de ostentação exibida nas redes, financiada pelo mercado ilegal, ocultava graves riscos à saúde pública. O composto "Yellow B", anunciado há anos, continha substâncias proibidas ou controladas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Entre os ingredientes ocultados dos consumidores estavam a sibutramina (causadora de arritmias e risco de AVC), fluoxetina, bupropiona e até clembuterol, um medicamento de uso estritamente veterinário.
Produção clandestina e distribuição nacional
Segundo o delegado Rodrigo Carbone, a organização operava no sistema conhecido como "cozimento", realizando a manipulação artesanal de substâncias em ambientes residenciais sem qualquer controle de higiene. Insumos vindos da China, Índia e Paraguai eram misturados a óleos de cozinha e sementes não estéreis.
A falta de assepsia provocou sérias complicações em usuários pelo país, incluindo infecções graves, abscessos, embolias e mortes. A engrenagem no Distrito Federal era apenas um braço da rede com ramificações em oito estados.
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