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Após ser derrotado por uma margem mínima de 0,63% dos votos no primeiro turno da eleição de 1989, o ex-governador Leonel Brizola precisou articular os rumos do PDT para o segundo turno da disputa presidencial contra Fernando Collor. A votação foi a primeira direta após a ditadura militar e redefiniu a política nacional.
Antes de definir a aliança, Brizola tentou uma manobra de bastidor em seu apartamento no Rio de Janeiro. Ele enviou o deputado Miro Teixeira a São Paulo para procurar Mário Covas, quarto colocado na disputa pelo PSDB. A proposta era consultar se Covas aceitaria disputar o pleito contra Collor caso Lula desistisse da vaga.
A recusa de Mário Covas e o dilema do PDT
No dia seguinte, Covas recusou a proposta por telefone, ressaltando que o eleitorado havia escolhido Lula para ir à etapa final. Com a recusa, a pressão aumentou dentro do PDT, culminando em um congresso extraordinário realizado no Riocentro, onde cerca de 2.600 militantes se reuniram para decidir o posicionamento partidário.
A origem da célebre frase sobre o sapo barbudo
Ao sair de casa ainda indeciso, Brizola ouviu de uma vizinha de prédio que todos teriam de engolir aquele sapo barbudo. No evento, diante de um público favorável ao PT, o líder trabalhista adotou a expressão e discursou que a política era a arte de engolir sapo, defendendo fazer a elite aceitar a candidatura petista.
A decisão foi aclamada pelos delegados presentes, mas deixou uma lição histórica sobre a autonomia do eleitor no segundo turno. A experiência demonstrou que orientações de líderes partidários não controlam de forma automática a escolha final do cidadão nas urnas.
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