Estudos de fase 3 divulgados pela farmacêutica Eli Lilly revelam que a retatrutida, um medicamento experimental injetável de aplicação semanal, promoveu uma redução média de até 22,6% do peso corporal após 80 semanas de tratamento em adultos com obesidade e complicações metabólicas.

Os ensaios clínicos acompanharam os participantes ao longo de aproximadamente um ano e meio. Na avaliação de maior dosagem, os voluntários registraram uma eliminação média de até 25,3 quilos durante a pesquisa.

Apesar do desempenho promissor nos testes, a substância ainda não possui autorização comercial em nenhum país. A empresa projeta submeter o pedido de registro à agência sanitária dos Estados Unidos (FDA) no primeiro trimestre de 2027.

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O prazo estimado refere-se unicamente à entrega da documentação regulatória em território norte-americano, sem garantia de aprovação imediata ou disponibilidade de mercado na mesma data.

Como funciona a retatrutida

A retatrutida é uma molécula inovadora que atua como um triplo agonista, ativando simultaneamente os receptores dos hormônios GLP-1, GIP e glucagon no organismo.

Essa ação combinada auxilia no controle do apetite, amplia a sensação de saciedade, melhora a secreção de insulina e otimiza a regulação da glicose e do gasto calórico.

Diferente de terapias conhecidas como a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro), o novo fármaco atua em três frentes hormonais distintas. Contudo, especialistas reforçam que a eficácia e a segurança individuais demandam análises médicas detalhadas.

Resultados no estudo TRIUMPH-2

O ensaio TRIUMPH-2 avaliou 1.152 adultos que apresentavam obesidade ou sobrepeso associado ao diabetes tipo 2. Durante a pesquisa, doses semanais de 4 mg, 9 mg e 12 mg foram comparadas ao uso de placebo.

Ao final de 80 semanas, os voluntários com a dose de 4 mg perderam 12,7% do peso; os de 9 mg alcançaram 19,1%; e o grupo de 12 mg atingiu 20,8% de redução (cerca de 22,5 quilos eliminados). O grupo placebo reduziu apenas 4%.

Além da perda de peso, a dose máxima do tratamento reduziu a taxa de hemoglobina glicada em até 1,6 ponto percentual, demonstrando melhora relevante no controle glicêmico dos pacientes.

Avaliando pacientes com doença cardiovascular

A pesquisa TRIUMPH-3 envolveu 1.949 participantes diagnosticados com obesidade grave e doenças cardiovasculares prévias, incluindo indivíduos com e sem diabetes tipo 2.

Neste estudo, o uso de 9 mg gerou uma perda média de 21,6% da massa corporal (23,9 quilos). A aplicação de 12 mg levou a uma queda de 22,6% (25,3 quilos), frente a apenas 3,2% no grupo placebo.

A farmacêutica também observou melhorias em indicadores metabólicos importantes, tais como:

  • Queda de 37% nos triglicerídeos;
  • Diminuição de 16,5% no colesterol não HDL;
  • Redução de 9,3 mmHg na pressão arterial sistólica;
  • Redução de 19 centímetros na circunferência abdominal;
  • Queda de 51,2% na proteína C-reativa ultrassensível.

No entanto, a fabricante ressalta que os dados atuais ainda não confirmam a prevenção direta de enfartes ou óbitos de origem cardiovascular, necessitando de mais investigações.

Efeitos colaterais e alertas da Anvisa

As reações adversas mais frequentes relatadas nos testes foram de origem gastrointestinal, como náuseas, diarreia, prisão de ventre, vômitos e perda acentuada de apetite.

No estudo TRIUMPH-3, cerca de 13,5% dos voluntários abandonaram o tratamento devido a esses desconfortos. Adicionalmente, 6,4% relataram quadros de disestesia, caracterizados por sensações atípicas de formigamento ou ardência na pele.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que a retatrutida permanece em fase de testes e não tem comercialização liberada no Brasil ou no exterior.

O órgão sanitário alerta para os graves riscos da compra de supostos lotes da substância na internet, citando perigos como contaminações, dosagens incorretas, ausência de eficácia e falhas de armazenamento.

A eventual aprovação do produto no mercado brasileiro dependerá de submissão formal de dados e de uma rigorosa avaliação técnica pela Anvisa após a conclusão de todas as pesquisas clínicas.

FONTE/CRÉDITOS: DM Online