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A Seleção Brasileira se prepara para um confronto decisivo nas oitavas de final da Copa do Mundo, enfrentando a Noruega neste domingo (5/7), às 17h. Sob o comando de Carlo Ancelotti, o time buscará não apenas a vitória em campo, mas também superar um retrospecto histórico adverso, que tem sido um obstáculo persistente nas fases eliminatórias do torneio.
A expectativa toma conta do Brasil neste domingo (5/7), quando milhões de torcedores vestirão o tradicional manto amarelo para acompanhar o embate crucial da Seleção. O duelo contra a Noruega, válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo, promete ser um teste rigoroso para a equipe.
Este momento evoca memórias de confrontos passados, especialmente o revés de 1998, quando a Noruega surpreendeu o Brasil com uma vitória por 2 a 1 na fase de grupos do Mundial da França. A história recente da Seleção em Copas tem sido marcada por desafios significativos.
Apesar da tensão inerente a um jogo eliminatório, o senso coletivo de torcida e esperança permanece forte. O desafio é grande, e a equipe precisa demonstrar resiliência para avançar no torneio mais cobiçado do futebol mundial.
Este será o quinto jogo da Seleção Brasileira na atual edição da Copa do Mundo. Desde a conquista do pentacampeonato em 2002, o Brasil tem enfrentado dificuldades para progredir além das quartas de final, sendo eliminado consistentemente na segunda partida do mata-mata, um padrão que a equipe de Carlo Ancelotti busca quebrar.
A sina do "quinto jogo" é notável: em 2006, na Alemanha, a equipe foi eliminada pela França de Zinedine Zidane e Thierry Henry por 1 a 0. Quatro anos depois, na África do Sul, a Holanda de Sneijder e Robben venceu por 2 a 1, encerrando a participação brasileira.
Em 2014, ao superar essa barreira e chegar à semifinal em casa, o Brasil sofreu a dolorosa goleada de 7 a 1 para a Alemanha, um resultado que chocou o Mineirão e o mundo do futebol, marcando uma das maiores tragédias esportivas da história do país.
A perspectiva de Luis Fernando Verissimo
Apesar da humilhação, o escritor Luis Fernando Verissimo, com sua perspicácia habitual, descreveu o 7 a 1 como "um desastre, um vexame, um escândalo", mas ponderou que, dentro dos limites do futebol, placares elásticos já haviam sido registrados em Copas do Mundo.
Verissimo ironizou que, se o placar tivesse atingido 10 a 1, a situação se transformaria em uma "galhofa cósmica", onde a única reação possível seria uma gargalhada coletiva, uma forma de salvação do "desespero terminal", já que "nada mais teria sentido no mundo".
A sequência de eliminações no "quinto jogo" persistiu: em 2018, na Rússia, a Bélgica venceu por 2 a 1, com gol decisivo de Kevin De Bruyne. Mais recentemente, em 2022, no Catar, a Croácia de Luka Modric eliminou o Brasil nos pênaltis após um empate sofrido na prorrogação.
Com esse histórico em mente, a Seleção Brasileira, agora sob a batuta do técnico italiano Carlo Ancelotti, enfrenta um novo desafio: o artilheiro norueguês Erling Haaland. Ancelotti, que já cruzou o caminho do atacante em outras ocasiões, está ciente das dificuldades e do perigo que ele representa.
A missão do time canarinho é dupla: superar o retrospecto negativo nas fases eliminatórias da Copa do Mundo e neutralizar a ameaça de Haaland. Para isso, a experiência de Ancelotti será fundamental, pois o técnico já enfrentou o atacante norueguês tanto no Napoli quanto no Real Madrid.
A filosofia de Ancelotti sobre a fé e o futebol
Apesar de sua fé católica, Carlo Ancelotti revelou, em entrevista à “Folha de S. Paulo”, que não recorre à oração nos momentos de sufoco durante os jogos. Segundo ele, Deus tem "outros problemas" mais importantes para se preocupar, demonstrando uma abordagem pragmática e focada na estratégia.
O italiano Ancelotti desenvolveu uma admiração precoce pelo futebol brasileiro. Aos 11 anos, em 1970, ele se encantou com a arte de Pelé, Jairzinho, Tostão e Rivellino. Mais tarde, nos anos 1980, como jogador da Roma, teve a oportunidade de conviver com ícones como Falcão e Cerezo.
Essa convivência foi crucial para aprofundar a relação do atual técnico da Seleção Brasileira com o país. Em declaração à FIFA, Ancelotti destacou: “Nos divertimos juntos, porque a personalidade dos jogadores brasileiros era diferente. Eles eram mais alegres, simpáticos. Então, você pode se divertir muito com eles.”
Como ex-meio-campista habilidoso, Ancelotti integrou a comissão técnica da Itália na Copa do Mundo de 1994. Naquela ocasião, a Azzurra, liderada por Roberto Baggio, chegou à final contra o Brasil em Pasadena, Califórnia, em um jogo que terminou sem gols no tempo regulamentar.
A lição de 1994: mente e pés no futebol
Daquela final de 17 de julho de 1994, Carlo Ancelotti extraiu uma lição valiosa: “O futebol se joga tanto com a mente quanto com os pés. Foi uma lição importante que levei comigo para minha carreira de técnico.” O Brasil acabou vencendo nos pênaltis, após Baggio e Franco Baresi desperdiçarem suas cobranças.
Recorda-se o Milan de Ancelotti, uma equipe que, embora por vezes pragmática, revelou o talento de Kaká. O técnico, que via no brasileiro semelhanças com Michel Platini, testemunhou sua ascensão ao posto de melhor jogador do mundo em 2007.
Em sua autobiografia “O Sonho: Quebrando Recorde de Vitórias na Champions League” (Planeta), Ancelotti reitera seu compromisso: “Tentarei ganhar a Copa do Mundo dando tudo de mim.” Sua postura calma e serena é frequentemente elogiada por seus jogadores, transmitindo confiança à equipe.
Gabriel Martinelli, herói em um jogo anterior contra o Japão, exemplificou essa tranquilidade: “No intervalo, ele nos deu confiança, disse que marcaríamos um gol e que iríamos virar o jogo. Não importava quando o gol sairia. Sentimos a calma dele. Isso nos tranquilizou.” A expectativa é que essa serenidade se reflita no desempenho da equipe neste domingo.
O desafio do "quinto jogo" se apresenta novamente, e a Seleção Brasileira conta com a liderança de Carlo Ancelotti para reescrever sua história na Copa do Mundo. Como canta Wilson Simonal, "aqui é o país do futebol", e a nação se une em torcida por um resultado positivo.
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