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A Justiça Federal de Campinas enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta sexta-feira (14), o processo que apura o contrabando de mercúrio em garimpos de Mato Grosso. O envio atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que apontou indícios de participação do ex-governador Mauro Mendes (União) no esquema ilícito praticado enquanto ele ocupava o cargo público.
Segundo as investigações da Operação Hermes HG, as empresas Mineração Aricá e Kin Mineração adquiriram ilicitamente cerca de 314 kg da substância entre 2022 e 2023. O material, comprado sem autorização do Ibama, era utilizado na extração e produção de ouro, gerando graves ameaças ao meio ambiente e à saúde pública.
A denúncia do MPF resultou na responsabilização de 14 pessoas, que se tornaram réus por crimes ambientais, contrabando e organização criminosa. Contudo, devido à prerrogativa de foro privilegiado decorrente do mandato exercido por Mendes na época dos fatos, a parte referente ao político foi remetida ao STJ.
Suspeitas e mensagens interceptadas
De acordo com o MPF, as mineradoras Kin e Aricá formam o mesmo grupo econômico e adquiriam o insumo de Arnoldo Veggi. Mensagens obtidas no aplicativo WhatsApp revelam que as transações fraudulentas eram intermediadas por Rafael Pequi, com a emissão de notas fiscais falsas identificando o metal pesado sob o código "bola de ferro".
Em trechos das conversas, os suspeitos referem-se expressamente ao local como "garimpo do Mauro Mendes". Além disso, depoimentos prestados por funcionários indicaram que o filho do político, Luis Antônio Taveira Mendes, gerenciava a linha de mineração e costumava frequentar o local acompanhado do pai.
Registros comerciais indicam que a Maney Participações, de propriedade de Mauro Mendes, figurou no quadro societário da Mineração Aricá entre 2011 e 2020. A esposa do ex-governador, Virgínia Mendes, e o filho do casal também constaram formalmente como sócios do empreendimento minerador.
Defesa e desdobramentos operacionais
Em nota e declarações, Mauro Mendes classificou as acusações como "armação" eleitoral e defendeu a legalidade de suas agendas oficiais. O político afirmou que esteve no local apenas em visitas institucionais e ressaltou que seu filho manteve participação minoritária na empresa até 2024, mantendo firme sua pré-candidatura ao Senado.
O ex-governador também foi alvo recente de ações da Polícia Federal por suspeita de repasses irregulares. A investigação aponta a desistência de ações judiciais pelo estado de Mato Grosso no caso Oi, resultando em direcionamento de recursos públicos para fundos e empresas ligadas a Mendes e a aliados políticos.
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