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Por Alex Blau Blau
Brasília pode ser conhecida por seus monumentos, pela arquitetura e pelo desenho urbano que ganhou reconhecimento mundial. Mas parte importante dessa história permanece guardada em documentos, fotografias, plantas e projetos que ajudam a compreender como a capital foi imaginada antes mesmo de adquirir as formas conhecidas atualmente.
Esse patrimônio está mais próximo da população na exposição Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo, realizada pelo Arquivo Público do Distrito Federal em parceria com o Grupo Metrópoles, no Museu Nacional da República.
A iniciativa despertou interesse logo após a abertura. Cerca de 2 mil visitantes passaram pelo espaço na quarta feira, 12 de agosto, segundo dia de funcionamento da mostra.
Com curadoria de Marcus Lontra, Marília Panitz e Rafael Peixoto, a exposição reúne mais de 500 itens, entre documentos, fotografias, desenhos, projetos arquitetônicos, maquetes, obras artísticas e registros audiovisuais.
Documentos revelam uma Brasília pouco conhecida
Parte significativa do material apresentado é preservada pelo Arquivo Público do Distrito Federal. O acervo permite observar não apenas aquilo que foi efetivamente construído, mas também ideias que passaram por modificações ou nunca chegaram a sair do papel.
Entre os exemplos está a Praça do Povo, concebida por Oscar Niemeyer para a Esplanada dos Ministérios, além de estudos relacionados à Catedral de Brasília.
O superintendente do Arquivo Público do Distrito Federal, Adalberto Scigliano, destacou o potencial desse patrimônio para revelar capítulos ainda pouco conhecidos da história da cidade.
“Cada vez que eu entrava no meu acervo, descobria uma coisa nova. Descobri obras do Niemeyer, como a Praça do Povo, que nunca foram construídas, só projetadas. Esboços reprovados da Catedral e de outros lugares. Eu pensava: ‘Meu Deus, não é possível que só eu saiba da história de Brasília. Eu preciso dividir isso com as pessoas’”, afirmou.
A exposição amplia justamente esse compartilhamento ao permitir que documentos preservados pelo poder público sejam conhecidos por um público muito mais amplo.
Percurso une arquitetura, história e educação
A mostra está organizada em três núcleos curatoriais: Área Monumental, Segmentos Radiais e Núcleo Documental.
Ao longo do percurso, o visitante encontra referências às contribuições de Lucio Costa, Oscar Niemeyer e Athos Bulcão, além de uma linha histórica que acompanha Brasília desde os primeiros projetos de interiorização da capital brasileira até sua consolidação como sede do Governo Federal e Patrimônio Cultural da Humanidade.
O projeto também possui uma importante dimensão educativa. Entre agosto e outubro, estudantes das redes pública e privada poderão visitar o espaço e utilizar documentos, fotografias e maquetes como instrumentos para aprofundar o conhecimento sobre Brasília.
A parceria entre o Arquivo Público e o Grupo Metrópoles contribui, dessa forma, para levar a memória documental para além dos espaços tradicionais de pesquisa. Ao aproximar preservação, cultura e educação, a exposição permite que novas gerações conheçam não apenas a Brasília que foi construída, mas também as ideias, projetos e escolhas que ajudaram a definir a identidade da capital.
Utopias em construção: Brasília nas dobras do tempo permanece aberta no Museu Nacional da República, de terça feira a domingo, das 9h às 18h30. A entrada é gratuita.
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