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O Tribunal do Júri do Distrito Federal proferiu, nesta terça-feira (14/7), a sentença de Antônio Ailton da Silva, condenado a 29 anos e 9 meses de prisão pelo assassinato da motorista de aplicativo Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão. O crime, motivado por questões de gênero, ocorreu em fevereiro de 2025 na região do Cruzeiro, onde a vítima foi atacada enquanto trabalhava.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o réu agiu de forma premeditada ao escolher o alvo. A Promotoria destacou que a vulnerabilidade da vítima foi explorada conscientemente, evidenciando uma escolha racional baseada no fato de Ana Rosa ser mulher.
O crime foi marcado por extrema violência. O réu estrangulou a motorista e, ao perceber que ela ainda estava viva, desferiu golpes de faca. O laudo pericial apontou que a causa direta do óbito foi um traumatismo torácico grave.
Para o MPDFT, a atitude de Antônio demonstra uma frieza atípica e um total desrespeito pela vida humana. O documento judicial reforça que o comportamento do acusado é pautado pela misoginia e por um histórico recorrente de violência de gênero.
Impacto familiar e orfandade
O impacto emocional sobre a família da vítima foi um dos pontos centrais do julgamento. Ana Rosa, que atuava no setor de transporte por aplicativo há cinco anos, deixou dois filhos. O mais jovem, de apenas 13 anos, desenvolveu um quadro de isolamento social e trauma profundo após a perda da mãe.
Além da dor dos filhos, o tribunal considerou o fato de que a vítima foi impedida de conhecer sua neta, nascida meses após o crime. Essa privação afetiva e material foi utilizada como justificativa para elevar a pena-base, dada a gravidade das consequências para os sobreviventes.
Durante a sessão, a defesa tentou desqualificar o crime para latrocínio (roubo seguido de morte), visando uma pena distinta. No entanto, o magistrado manteve a tipificação de feminicídio, fixando a condenação em regime inicialmente fechado por quase três décadas.
Dinâmica do crime no Cruzeiro
O assassinato aconteceu na manhã de 26 de fevereiro de 2025. Após ser esfaqueada dentro de seu próprio veículo, um Volkswagen Voyage, Ana Rosa ainda conseguiu contatar o marido por telefone para pedir socorro, relatando que estava morrendo.
Testemunhas que trabalhavam nas proximidades relataram ter ouvido o barulho de pneus e visto o agressor fugir do local. A vítima foi encontrada tentando se mover para o banco do motorista, onde ainda conseguiu relatar ter sido vítima de um assalto antes de perder os sentidos.
O réu foi localizado e detido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) pouco tempo depois do ataque, na região do Sudoeste. Ana Rosa residia em Valparaíso (GO) e era uma profissional dedicada ao sustento de sua família.
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