Deputados da oposição e o assessor especial da presidência Celso Amorim divergiram nesta quarta-feira (12), na Câmara dos Deputados, sobre os atritos diplomáticos recentes entre Brasil e Estados Unidos.

Durante a sessão na Comissão de Relações Exteriores, o foco principal foi a decisão do governo de Donald Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

De acordo com Celso Amorim, as investidas norte-americanas possuem fundo político. Ele argumenta que a Casa Branca busca impor subordinação econômica e geopolítica à América Latina.

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O assessor destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeita medidas unilaterais que tentem enfraquecer a soberania nacional ou gerar constrangimentos comerciais desnecessários.

Em contrapartida, parlamentares da oposição responsabilizaram o atual governo brasileiro pelos desentendimentos. O deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança criticou o alinhamento no Brics.

Segundo o parlamentar, a postura adotada pelo Planalto evidencia um padrão sistemático de anti-americanismo, priorizando o embate retórico em detrimento do pragmatismo comercial.

Discussão sobre vistos e soberania

Outro ponto de atrito envolveu a retenção de vistos diplomáticos. O governo brasileiro decidiu congelar a concessão de credenciais para representantes estrangeiros até outubro.

Amorim classificou como bizarra a tentativa de acelerar a indicação do novo embaixador dos EUA sem o aval prévio do Itamaraty, violando práticas diplomáticas tradicionais.

Por sua vez, o deputado Marcel Van Hatten apontou que o Brasil cometeu uma agressão à soberania americana ao bloquear contas de empresas dos EUA em impasses judiciais locais.

Facções como terroristas

Sobre a classificação de grupos criminosos como terroristas, Amorim alertou que a medida pode servir de pretexto para intervenções militares estrangeiras no território nacional.

A oposição, no entanto, defendeu a postura dos Estados Unidos. O deputado General Girão afirmou que há temor de que forças especiais estrangeiras atuem contra o crime organizado diante da omissão local.

Em sua réplica, Celso Amorim pontuou que o combate à criminalidade é dever exclusivo do Estado brasileiro, rechaçando qualquer subordinação a potências estrangeiras.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil