O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins usou sua posição de diretor na Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo (AOPM) para conceder regalias exclusivas e facilidades a operadores do PCC em eventos e colônias de férias da entidade. As informações constam em apurações da Polícia Federal e relatos de frequentadores, que apontam favorecimento a investigados por esquemas financeiros ilícitos em São Paulo.

De acordo com depoimentos prestados sob sigilo por associados do clube militar, Pereira Martins aproveitava o posto de diretor de Colônias e Patrimônio para garantir vagas privilegiadas no estacionamento, além de acomodar seus convidados nos melhores setores durante bailes e confraternizações promovidos pela instituição.

A gravidade dos fatos é reforçada por trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal. Em conversas com Robson Martins de Souza, apontado como integrante do esquema, o coronel alinhou a entrada de veículos de alto luxo, incluindo três modelos da marca Porsche, em um evento social promovido na sede da associação paulista.

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Aparições públicas e registros fotográficos

A proximidade entre o oficial e os suspeitos ficou registrada em diversos eventos da AOPM. Em outubro de 2023, Pereira Martins posou ao lado de Robson durante a festa de aniversário da entidade, animada pelo cantor Sidney Magal. Já em agosto do mesmo ano, o coronel apareceu em foto oficial com o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, em celebração da associação.

O advogado Ubaldo Júnior foi detido na Operação Bazaar e novamente capturado na Operação Janus, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). As investigações apontam que ele integrava o núcleo financeiro encarregado de ocultar recursos ilícitos para a organização. Outro investigado na mesma operação, Cléber Azevedo dos Santos, também mantinha convívio social com o militar em restaurantes e festas.

Acesso a colônias de férias e apreensão de sócios

Além das festas na capital, o coronel intermediou a hospedagem dos empresários nas instalações de lazer da AOPM. Registros da Polícia Federal mostram que Pereira Martins ofereceu diárias com desconto na unidade de Campos do Jordão a Cléber, em 2020, e confirmou a reserva da colônia de Boraceia para Robson, três anos mais tarde.

A circulação dos suspeitos em dependências exclusivas gerou forte apreensão entre os membros da polícia. Sob anonimato, associados manifestaram temor quanto à segurança da categoria, embora os documentos da Polícia Federal até o momento não indiquem que as visitas tenham sido utilizadas para monitoramento de agentes ou planejamento de atentados.

Posicionamentos oficiais e investigações

A Delegacia de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros da Polícia Federal classificou a relação entre o militar e os investigados como uma forte amizade. Segundo o relatório concluído em novembro de 2024, o coronel parecia abrir as portas da corporação paulista para o grupo, embora não existam provas confirmadas de repasse de valores ou participação direta dele nas atividades criminosas.

Em nota oficial, a AOPM declarou que não havia suspeitas sobre os frequentadores na época dos fatos e ressaltou que o coronel não é alvo de indícios ilícitos. A Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar informaram que a Corregedoria acompanha o caso para adotar as medidas cabíveis. A defesa do coronel Pereira Martins não foi localizada para comentar.

FONTE/CRÉDITOS: Alfredo Henrique