Nos primeiros seis meses de 2026, as notificações de violência contra crianças e adolescentes no Brasil cresceram 17,25% em relação ao ano anterior. Ao todo, o painel oficial contabilizou 140.280 denúncias, contra 119.621 ocorrências registradas no mesmo período de 2025.

A gravidade do problema é ilustrada por episódios graves, como a agressão registrada em Francisco Beltrão, no Paraná, onde um homem de 31 anos chutou o rosto da própria filha de 3 anos em plena via pública.

Relembre o caso

  • O crime ocorreu em 5 de julho e foi filmado por sistemas de monitoramento.
  • O agressor caminhava com a filha de 3 anos e o enteado de 5 quando chutou a garota.
  • Um morador tentou intervir, mas foi afastado pelo homem, que fugiu levando as crianças.
  • A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado do Paraná (MPPR), tornando o suspeito réu.
  • Ele pode responder por tortura e lesão corporal em contexto de violência doméstica.

Meninas são as principais vítimas

O levantamento aponta que a vulnerabilidade das meninas aumentou consideravelmente. Em 2025, elas somavam 47,33% das vítimas (57.343 casos), enquanto os meninos representavam 44,15% (53.500).

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Já em 2026, a proporção de meninas agredidas subiu para 50,89%, alcançando 66.981 registros. No mesmo intervalo, os casos envolvendo meninos caíram para 39,32%, totalizando 51.754 ocorrências.

Aumento geral nas formas de agressão

Todas as modalidades de violência física registraram alta no primeiro semestre. A exposição de risco à saúde lidera as estatísticas com 119.793 casos, seguida por maus-tratos, que somaram 88.037 notificações.

Além disso, o painel registrou 50.535 ocorrências de agressões diretas ou vias de fato. Os episódios de lesão corporal tiveram o maior aumento proporcional, alcançando 20.878 casos no período.

O Ministério explica que o número de vítimas e violações supera o total de denúncias porque um mesmo registro pode abarcar múltiplos agressores, vítimas ou diferentes infrações simultâneas.

Sinais de alerta e impactos psicológicos

A psicóloga clínica Lorrany Barreto alerta que crianças e adolescentes demonstram o sofrimento por mudanças emocionais. Menores podem apresentar regressões no desenvolvimento, como voltar a molhar a cama ou ter crises de choro.

Adolescentes, por sua vez, costumam manifestar agressividade, desinteresse ou comportamentos de risco. A especialista destaca que ser excessivamente quieto ou obediente pode ser um mecanismo de defesa para evitar novos abusos.

Segundo Lorrany, a exposição continuada a abusos afeta o desenvolvimento cerebral e prejudica a regulação emocional, o aprendizado e a capacidade de construir vínculos afetivos saudáveis na vida adulta.

Como denunciar pelo Disque 100

O Disque 100 é um serviço gratuito e anônimo que funciona 24 horas por dia para receber denúncias de violações de direitos humanos, ajudando a revelar crimes ocultos no ambiente familiar.

Os dados coletados pelo canal auxiliam na formulação de políticas públicas. No entanto, o órgão ressalta que os registros são relatos de suspeitas e dependem de apuração dos órgãos de proteção e da Justiça.

FONTE/CRÉDITOS: Giovana Alves