O ex-ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, defendeu nesta terça-feira (18/8) a realização de eleições presidenciais no país, mesmo com o conflito contra a Rússia ativo. A cobrança marca um dos episódios mais tensionados no cenário político interno enfrentado pelo presidente Volodymyr Zelensky desde o começo da invasão em 2022.

Em uma gravação divulgada no YouTube, Fedorov argumentou que a Ucrânia vive uma crise sistêmica de gestão pública. Ele apontou a necessidade de desenhar um caminho legal e seguro para retomar o processo democrático na nação.

“A democracia não pode ser mantida como refém da Rússia”, pontuou o ex-ministro ao defender a renovação institucional em meio ao cenário de confronto prolongado.

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A manifestação ganha peso pois nenhum grande nome político havia exigido pleitos nacionais desde fevereiro de 2022. O arcabouço legal ucraniano proíbe votações enquanto durar a lei marcial, decretada por Zelensky no início da ofensiva russa.

Retórica alinhada ao Kremlin

A cobrança por eleições toca em um ponto sensível para Kiev. Desde 2024, o Kremlin usa a suspensão dos pleitos para questionar a legitimidade do mandato de Zelensky, eleito em 2019.

A ausência de votação virou ferramenta na narrativa de Moscou contra a administração ucraniana.

Desafio direto ao governo

Aos 35 anos, Fedorov integrou o primeiro escalão e deixou a pasta da Defesa em julho, após seis meses no cargo e atritos com a liderança militar, representada pelo então comandante Oleksandr Syrskyi.

Longe do governo, ele intensificou as críticas sobre a resistência do sistema a mudanças e apontou que a corrupção afeta o esforço bélico.

O pronunciamento veio logo após a confirmação da indicação de Yevhenii Khmara para a Defesa, encerrando boatos sobre o retorno de Fedorov e abrindo um novo capítulo de instabilidade política na Ucrânia.

FONTE/CRÉDITOS: Manuela de Moura