O governo federal confirmou, nesta quinta-feira (16), a retomada de um plano de socorro financeiro para empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que incidirá sobre as exportações brasileiras a partir de julho. A decisão ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) oficializar uma sobretaxa de 25% em diversos produtos nacionais, sob a alegação de práticas comerciais desleais, o que Brasília contesta veementemente.

As novas alíquotas entrarão em vigor no dia 22 de julho. O governo brasileiro refutou integralmente os argumentos técnicos utilizados por Washington para justificar a medida protecionista.

Durante coletiva em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, destacou que o suporte aos setores prejudicados é prioridade absoluta. Segundo ele, a tarifação é considerada injusta e carece de embasamento legal internacional.

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Entre os segmentos mais impactados estão os de madeira, maquinário elétrico, mobiliário, calçados e açúcar. Para esses exportadores, o MDIC e o Ministério da Fazenda preparam linhas de crédito para capital de giro e incentivos para a abertura de novos mercados globais.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que cerca de 2,4 mil companhias brasileiras serão diretamente afetadas. O volume financeiro envolvido nas transações sob risco atinge a marca de US$ 7,4 bilhões, com base no fluxo comercial de 2024.

Impacto comercial e diversificação

No último ano, o montante exportado por esses setores já havia sofrido uma retração, totalizando US$ 5,5 bilhões. Contudo, itens estratégicos como carnes, café e insumos para aviação não foram incluídos na nova lista de sobretaxas norte-americanas.

A relevância dos EUA na balança comercial brasileira apresentou queda, saindo de 12,1% para 9,4% nas projeções para 2026. Diante desse cenário, o MDIC reforça a necessidade de ampliar a presença do Brasil em outros blocos econômicos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin sinalizou que o Brasil poderá acionar a Lei da Reciprocidade. A legislação permite que o país suspenda concessões comerciais em resposta a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade nacional.

"O governo saberá o momento oportuno para implementar essa norma, aprovada pelo Congresso", afirmou Alckmin. Ele classificou o movimento dos EUA como uma decisão descabida que ignora o histórico de cooperação entre as nações.

Reação econômica e questionamentos sobre o Pix

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a ação como uma interferência externa indevida. Para ele, as taxas tentam constranger o setor produtivo e os trabalhadores brasileiros sem qualquer prova de irregularidade.

Durigan assegurou que o impacto não comprometerá a estabilidade macroeconômica. Ele explicou que o volume de crédito emergencial será menor que o de anos anteriores, visto que a lista de produtos taxados é mais restrita desta vez.

Um dos pontos mais controversos da argumentação dos EUA envolve o Pix. O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central foi citado por Washington como um possível entrave à concorrência de empresas estrangeiras.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, rechaçou a tese. Ele argumentou que, desde o lançamento do Pix, o mercado de cartões de crédito cresceu 150%, provando que a tecnologia apenas substituiu meios de pagamento obsoletos, como o cheque.

A investigação do USTR também mencionou preocupações com a propriedade intelectual e o acesso ao mercado de etanol. Além disso, o órgão estadunidense apontou supostas falhas no combate ao desmatamento ilegal e práticas de comércio digital.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima rebateu as críticas ambientais. O ministro João Paulo Capobianco ressaltou que o desmatamento na Amazônia recuou 50% nos últimos três anos, invalidando os argumentos técnicos usados para a barreira comercial.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil