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Em depoimento gravado antes de sua execução no Aeroporto de Guarulhos, o corretor Antônio Vinícius Gritzbach revelou ao MPSP como policiais civis teriam praticado uma extorsão milionária contra ele. O relato, parte de sua delação premiada, detalha exigências de até R$ 40 milhões para aliviar investigações sobre lavagem de dinheiro e homicídios ligados à facção PCC.
O registro audiovisual, datado de julho de 2024, mostra Gritzbach apresentando evidências ao Gaeco sobre a conduta de agentes do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O delator foi assassinado em novembro do mesmo ano, pouco tempo após formalizar as denúncias contra a cúpula da investigação.
Exigências milionárias e indicação de defesa
Durante a audiência, o corretor apontou o delegado Fábio Baena e o investigador Eduardo Monteiro como os mentores da pressão financeira. Gritzbach afirmou que, enquanto estava preso em 2022, recebeu a indicação de um advogado específico por parte do próprio delegado para mediar os pagamentos.
Segundo o depoimento, o pedido inicial girava entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões. A justificativa dos agentes seria o acesso a supostas chaves de criptomoedas em um pendrive, objeto que o corretor negou categoricamente possuir na ocasião.
Apropriação de bens e relógios de luxo
Além dos valores em espécie, Gritzbach denunciou a retenção indevida de seu patrimônio pessoal. Ele citou que um sítio em Biritiba Mirim, avaliado em R$ 1,5 milhão, e 14 relógios de luxo foram tomados pelos policiais sem o devido registro oficial nos autos de apreensão.
Dentre os itens subtraídos, o delator destacou quatro relógios da marca Hublot, avaliados em R$ 180 mil. Ele alegou que os objetos teriam sido guardados no armário particular do chefe dos investigadores e, posteriormente, oferecidos ilegalmente no mercado de revenda.
Pressão e tentativa de acordo informal
Em um momento de vulnerabilidade durante a custódia, Gritzbach admitiu ter oferecido até R$ 3 milhões de suas contas pessoais para evitar a renovação de sua prisão temporária. No entanto, o corretor relatou que a oferta foi recusada pelos agentes, que alegaram já ter recebido valores maiores de outras fontes.
As provas entregues pelo corretor incluíam áudios e escrituras que demonstravam a comercialização irregular de seus bens por membros da equipe policial. Para o MPSP, as acusações evidenciam como a estrutura do Estado foi utilizada para achacar alvos de investigações sensíveis.
Desdobramentos e prisões
As denúncias de Gritzbach resultaram em uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público em dezembro de 2024. Baena e Monteiro foram detidos, embora o delegado tenha obtido liberdade condicional meses depois por decisão do STF, sob uso de tornozeleira eletrônica.
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