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As madrugadas em Valparaíso de Goiás têm sido palco de intensos conflitos entre travestis que buscam espaço para atender clientes nas ruas do Jardim Oriente e Morada Nobre, bairros próximos à BR 040. A disputa, que escalou para ameaças com faca, gira em torno da alegada exploração sexual.
Segundo Milena Salles, 19 anos, a travesti que registrou os vídeos da situação, o embate se intensificou devido à cobrança de uma taxa diária de R$ 100 por ponto de trabalho por outra travesti identificada como Lala. Milena alega que Lala utiliza uma faca para impor essa cobrança, caracterizando o que ela chama de cafetinagem.
Guerra das travestis e Valparaíso
Milena relatou que, enquanto aguardava clientes em seu ponto, foi abordada por Lala, que a ameaçou com uma faca. Lala teria exigido que Milena passasse a pagar a taxa diária de R$ 100, assim como outras travestis, sob grave ameaça caso se recusasse a pagar pelo ponto.
A vítima enfatizou que atua em Valparaíso há sete anos e possui uma clientela consolidada. Ela expressou indignação com a chegada de uma nova travesti, vinda do Pará, que estaria tentando lucrar indevidamente com o trabalho das profissionais que já atuam na cidade há mais tempo.
Milena também acusou Lala de atrair travestis de outros estados para Valparaíso com promessas de moradia e alimentação. Em contrapartida, as recém-chegadas seriam obrigadas a pagar R$ 100 diariamente. Caso o valor não fosse pago, a dívida aumentaria no dia seguinte, com a exigência de R$ 200 provenientes dos lucros dos programas, conforme relatou Milena Salles.
Acusação de morte
Em um dos vídeos, Milena Salles acusa Lala de ser responsável pela morte de outra travesti. "Assassina, cafetina, matou o viado na casa dela", disse Milena, que alega que Lala teria causado a morte durante uma aplicação clandestina de silicone, embora essa informação não tenha sido comprovada.
Na época do ocorrido, a travesti que residia na casa de Lala, descrita como o "QG" da acusada, foi levada às pressas para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Valparaíso. Devido à gravidade do seu estado, foi transferida para Goiânia, onde faleceu no Hospital de Doenças Tropicais.
A Polícia Civil de Valparaíso investigou a morte na ocasião. No entanto, no caso mais recente envolvendo Milena e as ameaças com faca, não houve registro de acionamento policial.
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