O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) anunciou recentemente a suspensão das consultas ambulatoriais de reumatologia, uma medida que afeta diretamente a população da capital federal. A decisão foi tomada devido à **escassez de médicos** na especialidade, que impacta a capacidade de atendimento da unidade. O Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do DF (Iges-DF) confirmou a interrupção dos serviços, que já resulta em uma fila de espera com mais de 3,7 mil pessoas.

Segundo informações do Iges-DF, a suspensão dos atendimentos com reumatologistas no Hospital de Base decorre de uma "reorganização assistencial". Essa reestruturação foi motivada por "afastamentos definitivos e temporários prolongados de profissionais da especialidade", o que reduziu significativamente o quadro de funcionários.

Atualmente, o acesso ao ambulatório de reumatologia no HBDF está restrito. Apenas pacientes diagnosticados com doenças imunomediadas de alta complexidade, como lúpus eritematoso sistêmico, vasculites, artrite reumatoide e espondiloartrites, conseguem ser atendidos na unidade.

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Fila de espera para reumatologia supera 3,7 mil pessoas

A interrupção das consultas eletivas tem agravado a já longa fila de espera por atendimento. Conforme dados do mapa social do Ministério Público do DF (MPDFT), atualizados até julho deste ano, aproximadamente **3,7 mil pessoas** aguardavam por uma primeira consulta ou retorno com um reumatologista.

Entre os pacientes afetados está Rosilda da Cunha, de 57 anos, que sofre de fibromialgia. Ela relatou ao Metrópoles que sua última consulta no Hospital de Base ocorreu há quase um ano e, desde então, aguarda um retorno. Rosilda sente dores intensas e necessita de acompanhamento contínuo.

Seu retorno, inicialmente agendado para dezembro de 2025, foi cancelado. "Quando eu voltei, me falaram: 'Não, não estamos mais atendendo paciente de fibromialgia. Os atendimentos de pacientes com fibromialgia aqui no Base foram cancelados'", lamentou Rosilda.

Para Rosilda, a continuidade do acompanhamento com um reumatologista é vital, especialmente após uma cirurgia recente realizada na Rede Sarah. Os médicos da Rede Sarah exigem o devido acompanhamento, e a falta de assistência na especialidade pode levá-la a perder a vaga em seu tratamento.

"Nesta terça-feira (21/7), eu retorno para o meu médico, mas não tenho o que falar. Quando o paciente tem fibromialgia, tem que ter acompanhamento com o reumatologista. Se não tiver, eles não acompanham o paciente. Estou com medo de perder o meu tratamento no Sarah devido a isso", desabafou Rosilda.

O Hospital de Base conta com apenas 15 médicos reumatologistas, incluindo a chefia do setor. Em nota, o Iges-DF informou que a "recomposição da carga horária da especialidade encontra-se em andamento, com o objetivo de ampliar gradualmente a oferta de consultas e garantir a continuidade da assistência aos pacientes".

Outras especialidades também enfrentam longas filas no DF

A crise no atendimento não se restringe à reumatologia. O Mapa Social do MPDFT também revela que 3.185 pessoas aguardam por uma consulta em psiquiatria, com tempo de espera superior a 90 dias. A demanda por oftalmologia na capital federal é ainda maior, com 13.898 pessoas na fila e um tempo de espera de até 72 dias.

De acordo com o Iges-DF, as unidades sob sua gestão dispõem de 32 médicos psiquiatras, sendo 30 deles lotados no Hospital de Base. O Instituto, que também administra o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) e o Hospital da Cidade do Sol (Hsol), não detalhou o número de servidores nessas duas últimas unidades.

Na oftalmologia, o Iges-DF conta com 30 médicos na especialidade, dos quais 10 foram cedidos pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). Desses, 28 atuam no HBDF.

O Iges-DF esclareceu que as "consultas eletivas em psiquiatria e oftalmologia são reguladas pelo complexo regulador da SES-DF, responsável pela gestão das filas de espera e pelo encaminhamento dos pacientes às unidades da rede". Por essa razão, a gestão da fila de pacientes nessas especialidades não é de responsabilidade direta do Iges-DF.

Para tentar mitigar o problema, o Iges-DF informou que concluiu um processo seletivo para dez novos psicólogos e que possui 15 médicos psiquiatras convocados em cadastro reserva. Além disso, a instituição está tomando as providências necessárias para a abertura de novos processos seletivos, "conforme a necessidade dos serviços e a disponibilidade orçamentária".

Mortes em junho levantam preocupações sobre o atendimento público

O cenário da saúde pública no Distrito Federal tem sido marcado por incidentes de repercussão negativa, incluindo óbitos de pacientes que aguardavam atendimento. Em junho deste ano, duas pessoas morreram em circunstâncias preocupantes.

  • No dia 20 de junho, Vilmar da Silva, de 49 anos, faleceu enquanto esperava atendimento sentado em uma cadeira de rodas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas.
  • Uma testemunha relatou ao Metrópoles que um dos presentes notou a ausência de sinais vitais em Vilmar. Sua esposa, enfermeira, confirmou o óbito.
  • Apesar de informada, a equipe de plantão da UPA, inicialmente, teria negado o falecimento. A testemunha suspeita que a postura visava remover o corpo da área de espera antes de declarar o óbito, sugerindo que o paciente havia recebido assistência.
  • Menos de um mês depois, em 12 de julho, Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu após um mal súbito na entrada do pronto-socorro do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), enquanto aguardava atendimento.
  • Uma equipe de apoio do hospital tentou reanimá-lo com massagem cardíaca, mas Rodrigo não resistiu.
FONTE/CRÉDITOS: Thamires Almeida