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Agentes norte-americanos podem ser retirados do território brasileiro.
Integrantes do Ministério das Relações Exteriores se encontraram nesta terça-feira, dia 21, com a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos (EUA), Kimberly Kelly. O objetivo do encontro foi discutir a expulsão do delegado Marcelo Ivo, da Polícia Federal (PF).
De acordo com informações obtidas pelo Estadão junto a um membro do Itamaraty, os representantes do governo do Brasil indicaram na reunião que a medida poderia gerar reciprocidade, o que significaria a expulsão de agentes americanos do país. A Embaixada dos Estados Unidos confirmou o encontro em nota, mas declarou que não comenta "conversas diplomáticas privadas". O Itamaraty também confirmou oficialmente a realização da reunião.
Apesar da advertência feita durante o encontro, os diplomatas ressaltaram que a decisão final sobre o assunto caberá ao presidente Lula, após seu retorno ao Brasil, vindo de uma viagem pela Europa. Mais cedo, em Hannover, na Alemanha, durante conversa com jornalistas, Lula já havia confirmado publicamente a possibilidade de expulsar funcionários do governo americano.
"Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa", declarou o presidente. "Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência e esse abuso de autoridade que algumas personalidades americanas querem ter com relação ao Brasil."
Os Estados Unidos acusaram o delegado brasileiro de "manipular" o sistema de imigração, "contornar pedidos formais de extradição" e "estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos". A expulsão ocorreu após o episódio que levou o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) a prender e considerar a deportação do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que posteriormente foi liberado.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, porém sua prisão pelo ICE nos Estados Unidos foi motivada por uma infração de trânsito. O ex-parlamentar deixou o Brasil em novembro do ano passado e, desde então, permanece nos EUA.
Na época da prisão, a Polícia Federal emitiu uma nota oficial alegando que a ação foi fruto de cooperação policial internacional entre as autoridades dos dois países. "A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA", informou a nota da PF.
"O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito", acrescentou a corporação brasileira, detalhando o episódio que, agora, culminou no pedido de saída do país do delegado Marcelo Ivo.
O delegado Marcelo Ivo exercia a função de oficial de ligação da PF brasileira em Miami desde agosto de 2023. Sua atuação era junto ao Departamento de Segurança Interna dos EUA, órgão responsável por questões como imigração e combate ao terrorismo.
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