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O setor de chocolate no Brasil demonstra fôlego renovado com a expansão da sua produção e do consumo interno, consolidando o país como um dos raros mercados globais a dominar todo o ciclo produtivo. Segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), o Brasil integra desde o cultivo do cacau até a prateleira final, aproveitando uma demanda que se mantém aquecida mesmo fora de datas sazonais.
Jaime Recena, presidente da Abicab, destacou durante o Dia Mundial do Chocolate que o produto está profundamente enraizado na rotina nacional. Ele enfatiza que a indústria investe constantemente em inovação para superar as expectativas de um público cada vez mais exigente e diversificado.
Em termos de volume, a fabricação nacional saltou de 805 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas no ano seguinte. Embora os números consolidados de 2026 dependam do encerramento do ciclo atual, as projeções da entidade apontam para a manutenção dessa trajetória ascendente.
Expansão do consumo per capita
Atualmente, o brasileiro consome cerca de 4 kg de chocolate anualmente. Recena observa que há uma margem significativa para crescimento, especialmente ao comparar com mercados maduros como o europeu e o norte-americano, onde a média oscila entre 9 kg e 10 kg por pessoa.
A capilaridade logística é um dos trunfos do setor. Apesar dos desafios geográficos do Brasil, o chocolate de fabricação nacional alcança praticamente todos os municípios, estando disponível desde grandes centros até pequenos comércios locais em cidades remotas.
Financeiramente, o segmento movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, conforme dados da Kantar/Ibope. Esse resultado foi impulsionado pela busca por chocolates finos e pela estratégia de inovação que estimula a compra recorrente ao longo de todo o ano.
Comércio exterior e exportações
No cenário internacional, o Brasil exportou 37,8 mil toneladas de chocolate em 2025, alcançando 168 países e gerando uma receita de US$ 210,2 milhões. Por outro lado, as importações somaram 19,8 mil toneladas, totalizando US$ 227 milhões no mesmo período.
No início de 2026, a balança comercial do setor registrou um superávit em volume de 3 mil toneladas. Já o mercado de cacau bruto movimentou cifras expressivas, com exportações de US$ 603,1 milhões e importações que chegaram a US$ 699,2 milhões no último ano.
A estratégia de expansão internacional foca agora na Europa, potencializada por acordos comerciais entre o Mercosul e a União Europeia. Além disso, parcerias de longa data com a Apex-Brasil têm aberto portas para pequenos fabricantes que apostam em produtos com alto teor de cacau.
Geração de emprego e sazonalidade
As indústrias ligadas à Abicab são responsáveis por aproximadamente 450 mil postos de trabalho. A Páscoa continua sendo o principal motor de contratações, com uma taxa de efetivação de temporários em torno de 30%.
Em 2026, o período pascoal registrou um salto significativo nas vagas temporárias, passando de 9.946 para 14.558 oportunidades. Esse aquecimento reflete a vitalidade do mercado e o lançamento de mais de 130 novos produtos apenas nessa temporada.
Para Jaime Recena, o chocolate transcendeu a sazonalidade, tornando-se um item essencial de presente e consumo cotidiano. A indústria busca constantemente agregar valor emocional e acessibilidade, atendendo a todas as classes sociais.
Representatividade da Abicab
A associação detém uma representação robusta, abrangendo 96% dos fabricantes de chocolate no país. Além disso, engloba fatias expressivas dos setores de amendoim e balas, consolidando quase a totalidade das marcas comerciais disponíveis no varejo.
Dinâmica do mercado de cacau
Osaná Crisóstomo, da cooperativa Coopfesba, relatou que a safra 2024/2025 foi produtiva na região da Bacia do Rio Salgado, com 80 mil toneladas comercializadas. No entanto, o setor enfrenta a volatilidade dos preços pagos ao produtor, que dependem diretamente de fatores climáticos.
Sucesso da agricultura familiar
A Bahia Cacau, pioneira como fábrica de chocolate da agricultura familiar, exemplifica a agregação de valor na origem. Situada em Ibicaraí, a unidade produz itens com teor de cacau entre 35% e 70%, utilizando insumos regionais como o cupuaçu.
A marca já expandiu sua presença para estados como São Paulo e Rio de Janeiro, além de iniciar exportações para Portugal. O modelo de negócio não apenas fortalece a economia rural, mas também auxilia na preservação da Mata Atlântica no sul da Bahia.
Nova legislação e proteção ao consumidor
A sanção da Lei 15.404/2026 traz novas diretrizes para o setor, estabelecendo percentuais mínimos de cacau e exigindo clareza na rotulagem. A medida, que entra em vigor em 2027, visa proteger tanto o produtor quanto o consumidor final.
Essa regulamentação é vista como um marco para a transparência do mercado, garantindo que as características técnicas dos derivados de cacau sejam respeitadas por fabricantes nacionais e importadores.
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