O ministro da Defesa, José Múcio, declarou nesta terça-feira (4/8) que o Brasil carece de capacidade militar para resistir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. A fala ocorreu durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), na capital federal, ao justificar a urgência de ampliar os aportes financeiros federais nas Forças Armadas.

Durante o encontro, Múcio mencionou um questionamento frequente da imprensa sobre a postura ideal caso Washington decida atacar o território brasileiro. Ao abordar a simulação, ele brincou que abrimento de portão seria sua atitude.

“Eu vejo os jornalistas o tempo todo questionando: 'Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que é que o senhor faz como ministro da Defesa?' Abro o portão”, relatou o chefe da pasta.

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Em seguida, ele detalhou o raciocínio: “Porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”.

Conforme o ministro, a analogia serviu para sublinhar a carência de verbas na Defesa. Ele pontuou que o país aplica aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) na área, patamar avaliado como insuficiente para modernizar o arsenal militar.

Múcio enfatizou que fortalecer a Defesa não traduz intenção de agressão externa. Segundo ele, o orçamento militar funciona nos moldes de um plano de saúde: escolhe-se o melhor, torcendo para jamais acioná-lo.

Tensões geopolíticas e diplomáticas

A manifestação aconteceu em um momento de escalada nas divergências entre as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Recentemente, as nações acumularam impasses comerciais e diplomáticos.

Em julho, a Casa Branca impôs novas taxas alfandegárias a mercadorias brasileiras e estendeu a emergência nacional que permite sanções econômicas contra o país.

Outro ponto de atrito envolveu a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, anunciada após impasses na concessão de aval para o novo representante norte-americano.

O evento da CNI debateu a descarbonização marítima e reuniu autoridades, industriais e o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen.

FONTE/CRÉDITOS: Kevin Lima