As delegacias e unidades de atendimento à mulher da Polícia Civil contabilizaram 782.474 prestações de serviços em todo o Brasil durante o ano de 2025. Os dados constam no 10º Diagnóstico Nacional das Unidades Especializadas, publicado na sexta-feira (7) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) no contexto dos 20 anos da Lei Maria da Penha.

Ao todo, o relatório apontou que 329.451 vítimas procuraram ajuda ao longo do período. Essa diferença em relação ao número total de registros evidencia que muitas cidadãs precisam recorrer aos órgãos policiais mais de uma vez para denunciar novos episódios ou dar andamento a processos.

Concentração regional das ocorrências

A Região Sudeste concentrou a maior parte das vítimas atendidas no país, somando 125.769 casos ou 47,8% do total nacional. Entre os estados da federação, São Paulo liderou o ranking com 84.103 mulheres atendidas.

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Na sequência figuram o Nordeste, com 53.067 vítimas (20,2%), o Centro-Oeste, com 43.662 (16,6%), o Sul, com 21.087 (8,0%), e a Região Norte, que contabilizou 19.712 atendimentos (7,5%).

Tipos de violência e medidas de proteção

Entre as infrações mais frequentes registradas pelas delegacias em 2025, o crime de ameaça liderou a lista com 148.544 ocorrências. Em seguida surgem as denúncias de lesão corporal (99.473) e injúria (88.739).

A pesquisa destacou avanços expressivos em novos tipos penais comparados à edição anterior de 2023. Os crimes de perseguição atingiram 52.855 casos (alta de 44,3%), enquanto as queixas de violência psicológica somaram 23.911 registros, apresentando um crescimento de 49,7%.

Diante das denúncias, as delegacias solicitaram 302.626 medidas protetivas de urgência, das quais 118.672 foram efetivamente concedidas. O levantamento revelou ainda um dado preocupante: 38.214 dessas ordens judiciais acabaram descumpridas pelos agressores.

Evolução e principais carências da rede

A rede de proteção teve início em 1985 com a fundação da primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres (Deam) no centro de São Paulo. Atualmente, o país conta com 585 unidades e cerca de 6.200 profissionais especializados.

Apesar da expansão histórica, o estudo alerta para graves problemas estruturais: 80% das unidades não funcionam 24 horas. Além disso, 57% relatam escassez de recursos para investigação, 46% enfrentam falta de viaturas e 40% não possuem material adequado de menor potencial ofensivo.

FONTE/CRÉDITOS: Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil