A Polícia Federal (PF) formalizou o indiciamento de 48 indivíduos, incluindo ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por envolvimento em um extenso esquema de fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e outros benefícios. A medida, divulgada nesta terça-feira (14/7) através do primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, visa responsabilizar os envolvidos por crimes como inserção de dados falsos, corrupção e organização criminosa, que resultaram em um prejuízo estimado em R$ 6 bilhões aos segurados.

Entre os nomes destacados no indiciamento estão Alessandro Antônio Stefanutto, ex-presidente do INSS, e Virgílio Antônio Ribeiro Filho, ex-procurador-geral da autarquia. Também figura na lista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais articuladores das irregularidades.

O grupo dos 48 indiciados é investigado por uma série de delitos graves, que incluem inserção de dados falsos em sistema de informações, corrupção passiva e ativa, promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa, além de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores.

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Lista dos indiciados

    • Abraão Lincoln Ferreira da Cruz;
    • Alessandro Antônio Stefanutto;
    • Alexandre Eduardo Ferreira Lopes;
    • André Luiz Martins Dias;
    • André Paulo Félix Fidelis;
    • Antônio Carlos Camilo Antunes;
    • Bruna Braz de Souza Santos;
    • Carlos Roberto Ferreira Lopes;
    • Cícero Marcelino de Souza Santos;
    • Daniel Otávio de Oliveira Silva;
    • Dogival José dos Santos;
    • Durval Natário Tosta IV;
    • Elaine Bezerra Rodrigues;
    • Euclydes Marcos Pettersen Neto;
    • Gilmar Stelo;
    • Heleno Márcio Pereira Magalhães;
    • Higor Dalle Vedove Lourenção;
    • Ingrid Pikinskeni Morais Santos;
    • Jefferson Ricardo Schultz;
    • José Benevides de Oliveira;
    • José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad Oliveira Andrade);
    • José Geraldo de Oliveira;
    • Karinne Fiori Dalle Vedove Lourenção;
    • Leonardo Bruno Arataque Gomes;
    • Letícia Aparecida da Fonseca;
    • Lício Luan Câmara Araújo;
    • Lucineide dos Santos Oliveira;
    • Marcelo de Oliveira Silva;
    • Marcelo Oliveira Barros;
    • Marcus Vinicius Arataque Gomes;
    • Nemer Ibrahim Chiah;
    • Neusmeire Silva Magalhães;
    • Pedro Alves Corrêa Neto;
    • Philippe André Lemos Szymanowski;
    • Priscila Samara de Melo;
    • Rogério Soares de Souza;
    • Ronaldo Lopes de Paiva;
    • Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior;
    • Sebastião dos Santos Rosa;
    • Silas da Costa Vaz;
    • Taline Nunes Campos das Neves;
    • Tayse Ferreira da Silva;
    • Thaisa Hoffmann Jonasson;
    • Thamyrez Maia de Oliveira Ramos;
    • Tiago Abraão Ferreira Lopes;
    • Vinícius Ramos da Cruz;
    • Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho;
    • Wendel Fernandes dos Santos

Esses indiciamentos representam o desfecho do primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, uma investigação da PF focada em apurar as fraudes relacionadas a cobranças não autorizadas que afetaram beneficiários do INSS.

O escândalo, amplamente divulgado pelo portal Metrópoles em uma série de reportagens iniciadas em dezembro de 2023, revelou o crescimento exponencial da arrecadação de entidades com descontos de mensalidade de aposentados, atingindo R$ 2 bilhões em um ano. As associações envolvidas acumulavam milhares de processos por filiações fraudulentas de segurados.

As investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) foram impulsionadas pelas matérias do Metrópoles. Ao todo, 38 reportagens do portal foram citadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em 23 de abril do ano passado, culminando na demissão do presidente do INSS e do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. A PF estima que as irregularidades tenham gerado um prejuízo de aproximadamente R$ 6 bilhões aos segurados.

FONTE/CRÉDITOS: Madu Toledo