O empresário Léo Serrano prestou esclarecimentos à Polícia Federal (PF) na segunda-feira (24/8) sobre a viagem realizada por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor do Banco Central, a parques temáticos nos Estados Unidos.

Apontado pelas investigações como organizador de eventos e viagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Serrano depôs por videoconferência diretamente da sede da corporação em São Paulo, enquanto o delegado responsável conduzia a oitiva de Brasília.

O depoimento integra as apurações da Operação Compliance Zero, que analisa supostas práticas fraudulentas atribuídas ao antigo proprietário do Banco Master.

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Durante a oitiva, que durou cerca de dez minutos, Serrano alegou ter fornecido exclusivamente o serviço de suporte local como “concierge” nos parques de Orlando. Ele negou qualquer envolvimento no custeio de bilhetes aéreos ou hospedagens para Souza.

Segundo o empresário, o passeio ocorreu no começo de 2024, período em que Souza exercia o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária.

Indícios de corrupção apontados pelo STF

Em decisão que autorizou desdobramentos da operação em março, o ministro André Mendonça, do STF, destacou haver fortes indícios de que Vorcaro corrompeu o servidor público.

A representação cita transferências financeiras suspeitas e facilidades concedidas no exterior, identificadas em trocas de mensagens via WhatsApp entre os envolvidos antes da viagem aos parques da Disney e Universal.

Trajetória do servidor no órgão público

  • Paulo Sérgio Neves de Souza é economista formado pela PUC-SP e ingressou por concurso no Banco Central em 1998.
  • Comandou a Diretoria de Fiscalização entre 2019 e 2023, durante a gestão de Roberto Campos Neto.
  • Foi afastado das funções por determinação judicial em março de 2024, paralelamente a uma sindicância interna do órgão.
  • Antes de ingressar no regulador bancário, trabalhou no Banco do Brasil em São Paulo.
FONTE/CRÉDITOS: Ramiro Brites