Pela primeira vez na história, as redes sociais e plataformas de vídeo se estabeleceram como a principal fonte de informação para a população global, superando a televisão, sites jornalísticos e o rádio. Essa constatação alarmante emerge do mais recente Relatório do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, divulgado esta semana. O estudo, que ouviu cerca de 100 mil pessoas em 48 países, aponta para uma transformação significativa nos hábitos de consumo de notícias.

A análise detalhada do levantamento revela que 54% dos participantes utilizam as redes sociais e plataformas de vídeo para se manterem informados. Este percentual supera ligeiramente a televisão, com 52%, e os sites e aplicativos de notícias, que registraram 51% da preferência. Este cenário reflete uma transição gradual observada ao longo dos últimos anos.

Diferenças geracionais no consumo de notícias

A pesquisa sublinha diferenças geracionais marcantes. Para o público mais jovem, entre 18 e 24 anos, as redes sociais já representam a principal via de acesso às notícias.

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Em contraste, indivíduos com mais de 45 anos ainda demonstram preferência pela televisão como sua principal fonte. É notável que os sites de veículos jornalísticos tradicionais não figuram como a principal fonte de informação em nenhuma das faixas etárias analisadas.

Além disso, o relatório diferencia o papel de cada plataforma. YouTube e X (antigo Twitter) são procurados para uma busca direta por informações.

Por outro lado, Facebook, Instagram e TikTok integram as notícias ao fluxo de conteúdo de entretenimento e interação social, onde os usuários as encontram de forma incidental.

Confiança em baixa e desafios econômicos

A confiança nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação tradicionais permanece um desafio. Apenas 37% dos entrevistados expressaram confiança na maioria das informações que consomem.

Simultaneamente, o setor jornalístico enfrenta pressões econômicas significativas, com a migração de investimentos publicitários para as gigantes da tecnologia, impactando a sustentabilidade dos veículos.

O estudo também ressalta o crescente impacto da inteligência artificial no consumo de notícias. Aproximadamente 10% dos participantes afirmaram utilizar ferramentas de IA, como o ChatGPT, semanalmente para acessar informações, um aumento em relação à pesquisa anterior.

Em suma, os dados do Relatório do Instituto Reuters confirmam uma reconfiguração profunda no panorama da comunicação global. As redes sociais transcenderam seu papel complementar, tornando-se um pilar central na forma como milhões de indivíduos se informam diariamente.

FONTE/CRÉDITOS: Jornal Democrático