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Em um contexto onde o Brasil busca intensificar a produção nacional de combustíveis derivados de petróleo para reduzir a dependência externa – especialmente diante de cenários globais como o conflito no Irã, que impactou os preços – a Petrobras anunciou, na última terça-feira (12), que suas refinarias estão operando além de sua capacidade nominal.
Essa revelação partiu da presidente da empresa, Magda Chambriard, durante a apresentação do balanço trimestral da estatal.
Os resultados da companhia indicaram que, no primeiro trimestre de 2024, o Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias alcançou 95%. Somente em março, o FUT chegou a 97,4%, o patamar mais elevado desde dezembro de 2014.
Durante a teleconferência com investidores e analistas de mercado, Magda Chambriard foi além, informando que nos meses de abril e maio o FUT já havia superado a marca de 100%.
“A Petrobras não gosta de limites. Sua meta é superar limites todos os dias”, enfatizou a presidente.
William França, diretor de Processos Industriais e Produtos, detalhou que a operação atual da empresa já alcança “100%, 102%, 103%”.
“De ontem (11) para hoje (12) operamos com 103% nas nossas refinarias”, complementou França.
O que é o FUT?
Refinarias são instalações industriais essenciais onde a Petrobras processa o petróleo bruto para transformá-lo em diversos derivados, como óleo diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV).
O FUT representa um cálculo que considera o volume de petróleo processado em relação à capacidade de referência das refinarias, sempre dentro dos parâmetros de projeto dos ativos e respeitando os requisitos de segurança, meio ambiente e qualidade dos produtos finais.
Um FUT elevado indica um maior aproveitamento das refinarias. Quando o índice atinge 100%, significa que as unidades estão operando no limite de sua capacidade projetada.
França esclarece que é possível o fator de utilização ultrapassar os 100% caso a carga de processamento exceda ligeiramente a capacidade de referência instalada, desde que haja a devida aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Guerra e manutenção
França associou o aumento do FUT ao cenário geopolítico global, ressaltando que a empresa atua como exportadora de derivados de petróleo.
“Tivemos o efeito da guerra. Quanto mais refinar o nosso petróleo, mais dinheiro a gente está ganhando. Estamos agregando valor além das exportações do petróleo”, explicou.
O diretor lembrou que a Petrobras registrou um recorde na produção de petróleo no primeiro trimestre e destacou os investimentos significativos em confiabilidade das refinarias, utilizando inspeções baseadas em risco e outras ferramentas de engenharia.
“Então, bombas, por exemplo, que operavam com 70% do tempo, hoje estão operando 90% do tempo antes de uma intervenção”, exemplificou.
Segundo França, a Petrobras está otimizando o tempo de intervenção nas unidades, o que eleva a confiabilidade das refinarias e permite que operem com cargas maiores por períodos mais longos do que no passado.
“Isso nos permite aumentar o nosso fator de utilização, isto é, aumentar a carga da nossa unidade por mais tempo”, reforçou.
O responsável pelos processos industriais da estatal acrescenta que 2024 tem sido um ano com menos manutenções programadas. “Fizemos muita manutenção programada no ano passado para deixar as unidades prontas”, descreve.
“A manutenção programada é para isso, para dar uma geral na unidade e deixá-la pronta para uma campanha confiável, uma campanha de disponibilidade próxima de 100%”, concluiu.
Recorde em Abreu e Lima
França mencionou o caso da Refinaria Abreu e Lima, localizada em Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife, que passou por manutenção no primeiro trimestre do ano anterior. A capacidade de produção da refinaria é de 130 mil barris por dia.
“Pôde fazer uma parada muito boa e agora pode subir a carga para 140 mil, 150 mil barris por dia, porque está confiável”, afirmou.
No início do mês, a Petrobras comunicou que a unidade alcançou um recorde na produção de óleo diesel S-10 (menos poluente) em abril, com 385 milhões de litros, superando a marca anterior de 373 milhões, estabelecida há quase uma década, em julho de 2016.
A Petrobras opera um total de 11 refinarias, incluindo o Complexo de Energias Boaventura, no Rio de Janeiro. A maior delas é a Refinaria de Paulínia, no interior de São Paulo, responsável por aproximadamente 30% de todo o refino de petróleo no Brasil.
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