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O aumento da violência contra indígenas no Brasil atingiu marcas alarmantes em 2025, somando 258 assassinatos em todo o país. Os dados foram divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) nesta quinta-feira (13), destacando que o avanço dos homicídios ocorreu em meio a paralisações em demarcações e intensas disputas territoriais, lideradas por estados como Roraima, Amazonas e Mato Grosso do Sul.
De acordo com o estudo, o cenário de insegurança nos territórios originários resultou em um crescimento expressivo das agressões físicas, invasões ilegais e negligência do Poder Público. Além disso, a estagnação dos processos demarcatórios e os impasses jurídicos envolvendo a Lei do Marco Temporal no Supremo Tribunal Federal (STF) agravaram a vulnerabilidade das comunidades.
Homicídios e conflitos por terra
A publicação ressalta episódios emblemáticos ocorridos ao longo do ano. No oeste do Paraná, quatro indígenas do povo Avá-Guarani foram baleados durante um ataque na Terra Indígena Tekoha Guasu Guavirá. O conflito deixou uma das vítimas paraplégica após ser atingida na coluna.
Em outros pontos do país, lideranças foram mortas em territórios pendentes de regularização. O Pataxó Vitor Braz foi assassinado na Bahia durante a luta pela demarcação na Barra Velha do Monte Pascoal, enquanto o Guarani Kaiowá Vicente Fernandes perdeu a vida no Mato Grosso do Sul.
O relatório enfatiza que mesmo terras demarcadas continuam sofrendo com invasões e exploração ilegal. Além do garimpo e do desmatamento, a pressão econômica para mineração, obras de infraestrutura e projetos de exploração de gás e petróleo ampliou os impactos diretos sobre as populações nativas.
Violência contra o patrimônio e entraves nas demarcações
O levantamento do Cimi registrou 1.276 casos de violência contra o patrimônio em 2025. Desse total, 897 episódios estiveram ligados à morosidade na regularização fundiária. Atualmente, das 1.443 reivindicações territoriais registradas no Brasil, 582 não possuem qualquer providência inicial para a demarcação.
Embora a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério da Justiça tenham avançado com a emissão de portarias e a criação de grupos técnicos, o documento avalia que o ritmo das homologações ainda é insuficiente diante da urgência das comunidades afetadas por conflitos.
Omissão do Poder Público e crise sanitária
A negligência governamental também refletiu no aumento dos índices de suicídio, que subiram para 215 casos em 2025, concentrados principalmente entre jovens. Paralelamente, o relatório contabilizou 1.024 mortes de crianças de até 4 anos, sendo mais da metade por causas evitáveis, como gripe, pneumonia e desnutrição.
A desassistência na saúde e a falta de saneamento básico foram agravadas pela poluição de rios provocada pelo uso de agrotóxicos e mercúrio do garimpo ilegal. Em regiões como o Rio Grande do Sul, indígenas acampados em margens de rodovias enfrentam extrema vulnerabilidade social.
Situação dos povos isolados
Por fim, a pesquisa alertou para o risco iminente sofrido por grupos em isolamento voluntário. Das 119 ocorrências de povos isolados mapeadas pela equipe do Cimi, apenas 28 são oficialmente reconhecidas pela Funai, deixando dezenas de comunidades desprotegidas perante invasões territoriais.
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