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As principais centrais sindicais do Brasil iniciaram uma mobilização nacional para pressionar os senadores a votarem a PEC que estabelece o fim da escala 6x1 antes do primeiro turno das eleições de 2026. O objetivo do movimento, iniciado neste fim de semana, é garantir a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais antes que o cenário eleitoral disperse o debate político no Congresso.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, criticou a postura de parlamentares da oposição e de empresários. Segundo ele, houve pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para adiar a votação. Nobre aponta que o adiamento serve para que parlamentares evitem se posicionar contra os trabalhadores antes do período de votação nas urnas.

"Os empresários querem a votação depois do pleito porque sabem que haverá traição ao povo. Vamos denunciar essa manobra nas bases eleitorais de cada senador", afirmou Nobre em entrevista à Agência Brasil. Para o dirigente, a cobrança direta nos estados de origem dos parlamentares é o caminho mais viável para acelerar a tramitação da proposta.

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Estratégia e ações das centrais sindicais

O plano de ação foi traçado na última sexta-feira (4) pelo Fórum das Centrais Sindicais, que reúne as seis maiores organizações trabalhistas do país. A reunião emergencial ocorreu logo após Alcolumbre sinalizar o adiamento do debate. As entidades planejam panfletagens intensas em polos comerciais, campanhas digitais e novos protestos de rua para dialogar diretamente com a população afetada.

Além das ruas, os sindicalistas buscam uma audiência formal com Davi Alcolumbre. O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, expressou preocupação com a mudança de cronograma. "O adiamento foi uma surpresa muito negativa. Mais de 70% dos brasileiros apoiam a medida, e deixar a decisão para depois das eleições pode fazer o projeto retornar à estaca zero", alertou Torres.

Divergências entre trabalhadores e setor patronal

A expectativa inicial era de que o texto seguisse para o plenário logo após passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Paulo de Oliveira, diretor da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), classificou a postergação como desleal. Já Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), destacou que a redução da jornada para 40 horas semanais é uma reivindicação histórica de quase um século.

Os defensores da proposta sustentam que a mudança trará melhorias significativas para a saúde mental e qualidade de vida da classe trabalhadora. Eles argumentam ainda que os impactos financeiros são plenamente absorvíveis pelas empresas, traçando um paralelo histórico com a transição da jornada de 48 para 44 horas ocorrida na Constituição de 1988.

Por outro lado, confederações patronais demonstram forte resistência ao projeto. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) solicitou formalmente o adiamento da discussão. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defendeu que alterações constitucionais dessa magnitude demandam análises técnicas profundas e ponderadas, sem a influência direta do calendário eleitoral.

FONTE/CRÉDITOS: Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil