Um mês após os intensos sismos que devastaram o país, a reconstrução da Venezuela segue incerta sob a gestão da presidente interina Delcy Rodríguez. O governo tenta articular soluções para os danos massivos enquanto lida com buscas por vítimas e falta de recursos financeiros imediatos.

Segundo o programa Plan Venezuela Renace, criado em julho, cerca de 11 mil residências passam por reformas. A iniciativa busca restaurar moradias e a infraestrutura básica destruída pelos abalos sísmicos.

Para apoiar as ações emergenciais, o Fundo Monetário Internacional (FMI) liberou US$ 346 milhões (R$ 1,7 bilhão). O montante pertence à nação caribenha, mas permaneceu congelado desde 2019 em razão de sanções políticas internacionais.

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Apesar da liberação do FMI, a verba fica muito aquém das perdas estimadas. O Banco Mundial calculou os prejuízos em US$ 19,6 bilhões (aproximadamente R$ 98 bilhões), divididos entre habitações, prédios comerciais e infraestrutura pública.

Reconstrução pode levar de 5 a 10 anos

Projeções do Banco Mundial indicam que a recuperação total pode demorar até uma década no ritmo atual de investimentos. No entanto, o prazo pode cair pela metade se houver ampliação de gastos públicos e maior participação do setor privado.

Mudanças políticas recentes impulsionaram o setor petrolífero local. Após a captura de Nicolás Maduro em janeiro, o governo interino firmou acordos estratégicos com os Estados Unidos, transferindo parte do controle das exportações de petróleo para Washington.

Relatório do Financial Times aponta que a parceria petrolífera com os norte-americanos gerou US$ 13 bilhões para os EUA desde o início do ano. Esse valor aproxima-se do montante total necessário para financiar a recuperação venezuelana.

Os números da tragédia

  • 5.398 mortes confirmadas
  • 16.740 feridos atestados
  • 6.462 pessoas resgatadas com vida
  • 23.335 cidadãos abrigados em acampamentos
  • 17.907 indivíduos afetados diretamente
  • 856 edificações atingidas
  • 190 estruturas colapsadas
  • 44.298 atendimentos médicos realizados
  • Cerca de 30 mil pessoas desaparecidas

Incertezas e buscas continuam

Enquanto economistas calculam o custo financeiro, milhares de famílias enfrentam a angústia pela falta de informações sobre entes queridos. As buscas oficiais diminuíram, mas a sociedade civil tenta manter a esperança ativa.

Sem um balanço governamental consolidado sobre os desaparecidos, a população recorre a plataformas independentes. O site Desaparecidos Terremotos Venezuela já contabiliza mais de 29 mil registros criados por parentes e amigos na esperança de localização.

FONTE/CRÉDITOS: Junio Silva