Nesta terça-feira (14/7), às 16h, no Estádio de Dallas, a seleção espanhola enfrenta a França em um aguardado confronto pela semifinal da Copa do Mundo de 2026. A Espanha, buscando superar uma série de eliminações recentes, tem como principal objetivo neutralizar a potente ofensiva francesa e garantir sua vaga na grande final, em um duelo considerado por muitos como uma decisão antecipada do torneio.

No cenário do Estádio de Dallas, a equipe espanhola busca exorcizar os fantasmas de eliminações passadas, como bem expressou o poeta Federico García Lorca: "Ontem e amanhã comem escuras flores de duelo". A esperança de um futuro vitorioso impulsiona a "La Furia" a deixar para trás a dor de insucessos anteriores.

Sob o comando de Luis de la Fuente, a Espanha ostenta um currículo recente impressionante, sendo campeã da Eurocopa, vice da Nations League e mantendo-se invicta nas Eliminatórias. Esta é a terceira vez que a seleção alcança uma semifinal de Copa do Mundo em sua história.

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O estilo de jogo da equipe é marcado pelo controle do meio-campo, com uma intensa troca de passes entre jogadores como Rodri, Pedri e Dani Olmo, buscando ditar o ritmo da partida e, por vezes, frustrar os adversários com sua posse de bola dominante.

A filosofia defensiva da Espanha é peculiar: defender-se com a posse de bola. Essa abordagem resultou em um desempenho sólido, com o goleiro Unai Simón sofrendo apenas um gol ao longo de toda a competição. A segurança na retaguarda é reforçada pela dupla de zaga, Aymeric Laporte e Pau Cubarsí, e pelos laterais Marc Cucurella e Pedro Porro, que complementam a defesa ibérica.

No ataque, a Espanha conta com o jovem talento Lamine Yamal. Apesar de não estar no seu ápice visto no Barcelona, o ponta-direita canhoto e driblador é uma ameaça constante às defesas adversárias, utilizando sua velocidade para criar oportunidades. Ele compõe um promissor trio ofensivo ao lado de Nico Williams e Mikel Oyarzabal, tendo completado 19 anos recentemente, no dia 13.

A confiança espanhola é palpável, com Lamine Yamal expressando que os franceses nutrem certo receio. "Fomos nós que os eliminamos [na Euro 2024]. Somos duas das melhores seleções do mundo, para mim as duas melhores, e não temos medo de nada", declarou o jogador na sexta-feira (10), após a vitória sobre a Bélgica nas quartas de final, ressaltando a rivalidade e a autoconfiança da equipe.

A herança do tiki-taka

Lamine Yamal, filho de pai marroquino e mãe guineense-equatoriana, é um representante de uma nova geração que não presenciou a transformação de identidade da seleção espanhola. Essa mudança ocorreu em 2006, durante um jogo contra a Tunísia, quando a equipe de Luis Aragonés iniciou a prática de trocas de passes precisos, redefinindo o estilo de jogo espanhol.

Antes de 2006, a equipe ibérica era conhecida por sua "Fúria". Contudo, Luis Aragonés soube aproveitar a qualidade técnica de jogadores como Xavi Hernández e Andrés Iniesta, que se destacavam pela cadência e controle de bola. Para Iniesta, essa geração marcou a história como uma das maiores de todos os tempos.

O auge do "tiki-taka" espanhol ocorreu entre 2008 e 2012, sob a liderança do técnico Vicente del Bosque. Nesse período dourado, a Espanha conquistou a Eurocopa em 2008, o título da Copa do Mundo em 2010 e novamente a Eurocopa em 2012, encerrando um longo histórico de eliminações nas quartas de final que perdurava desde 1964.

A trajetória de 2010 teve um início dramático, digno de um roteiro cinematográfico, com uma inesperada derrota por 1 a 0 para a Suíça na estreia, sugerindo que a sina de insucessos poderia continuar. No entanto, após esse revés, a "La Furia" se recuperou, avançou no mata-mata e venceu todas as partidas seguintes pelo placar mínimo, demonstrando resiliência.

A seleção espanhola daquela época incorporava as ideias táticas de Pep Guardiola, o revolucionário técnico do Barcelona. A equipe adotava a marcação por pressão, recuperava a posse de bola rapidamente, ditava o ritmo do jogo com trocas de passes incessantes e neutralizava os adversários, tudo isso, notavelmente, sem a presença de Lionel Messi.

O desafio da cadência contra o poderio francês

O brilho da Espanha começou a se apagar no Mundial de 2014, conforme analisou o craque Tostão: "Esperava-se o mesmo sucesso, mas o time, sem um ótimo atacante e com vários jogadores mais veteranos — especialmente Xavi, grande organizador da equipe —, foi um fracasso". A equipe foi eliminada ainda na primeira fase.

Em 2018, na Copa do Mundo da Rússia, a Espanha já não era mais vista como a equipe imbatível, sendo eliminada nas oitavas de final pelos anfitriões. Quatro anos depois, em solo catari, sob o comando de Luis Enrique, o estilo de jogo baseado em milhares de passes não foi suficiente, e a "La Roja" novamente caiu nas oitavas, desta vez nos pênaltis.

Neste novo confronto, o grande desafio da Espanha é conter o poderoso e vertical ataque francês. O técnico Didier Deschamps, da França, estrategicamente transferiu o favoritismo para o lado espanhol. "É uma equipe muito boa, com muitos pontos fortes", afirmou ele à Federação Francesa de Futebol, buscando aliviar a pressão sobre seus comandados.

Didier Deschamps, frequentemente rotulado como pragmático ou até retranqueiro, teve sua posição abalada após a derrota de virada na semifinal da Eurocopa 2024. Contudo, o técnico, que já foi campeão mundial tanto como jogador quanto como treinador, demonstrou capacidade de adaptação e percebeu a necessidade de reformular suas abordagens táticas.

A força ofensiva francesa

Desde a Eurocopa, Deschamps remodelou a equipe e encontrou uma solução para aprimorar o setor ofensivo, integrando talentos como Ousmane Dembélé, Michael Olise, Désiré Doué e Bradley Barcola. Essa nova formação tem se mostrado extremamente eficaz, resultando em 16 gols marcados em apenas seis jogos, com um futebol vistoso que remete ao lendário Brasil de 1982.

A França, "Les Bleus", alcança sua oitava semifinal na história das Copas do Mundo. O grande destaque da equipe é Kylian Mbappé, um jogador de origem camaronesa e argelina, que se destaca por sua velocidade, habilidade no drible e faro de gol. Com oito tentos nesta edição, Mbappé é o principal catalisador ofensivo, capaz de desequilibrar partidas, como demonstrou contra o Paraguai.

O meio-campo francês, com Manu Koné e Adrien Rabiot, garante o equilíbrio tático da equipe. Além de seu poderio ofensivo, a seleção, que reflete a diversidade cultural e a diáspora africana, exibe um sistema defensivo robusto. A França sofreu apenas dois gols em toda a Copa do Mundo, nenhum deles na fase de mata-mata, o que indica o pouco trabalho do goleiro Mike Maignan.

Apesar da inegável força francesa, o atacante espanhol Nico Williams mantém a confiança. "Muito pelo contrário, nosso time já provou isso [poder vencê-los]. Vencemos as duas últimas partidas [contra a França]", afirmou Williams à imprensa, destacando o histórico recente favorável à Espanha. O vencedor deste confronto será automaticamente alçado à condição de grande favorito ao título da Copa do Mundo.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Online