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Um estudo inédito do Cetic.br, divulgado nesta segunda-feira em São Paulo, revelou que 32% dos usuários de internet no Brasil já sofreram tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais. O levantamento abrange cerca de 45 milhões de pessoas com 16 anos ou mais no país.

Além disso, o levantamento apontou que 20% dos entrevistados foram vítimas efetivas dessas fraudes. Os dados integram a terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais, apresentada durante o 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais.

A investigação foi conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), órgão do NIC.br ligado ao CGI.br. A pesquisa entrevistou 2,5 mil pessoas via web em dezembro de 2025 para analisar riscos percebidos e práticas de privacidade.

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De acordo com Winston Oyadomari, coordenador do levantamento, esta foi a primeira vez que o órgão investigou diretamente se a população reconhece as abordagens golpistas. Ele ressaltou que o assunto gera constrangimento e abalo emocional nas vítimas.

Golpes em aplicativos

Os aplicativos de mensagem lideram as vias de abordagem fraudulenta, sendo citados por 84% das vítimas. Em seguida aparecem as chamadas telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), mensagens SMS (71%), e-mails (69%) e redes sociais (67%).

Oyadomari destacou que usuários que acessam a rede exclusivamente pelo celular reportam mais abordagens por páginas falsas do que aqueles que utilizam computador. Essa limitação do dispositivo pode aumentar a vulnerabilidade do cidadão.

As abordagens provocam reações de estresse e mal-estar. Segundo o especialista, os crimes não se limitam ao prejuízo financeiro, mas envolvem a perda de acesso a contas essenciais, como o portal Gov.br, impactando o acesso a serviços públicos e assistência.

Escolaridade

O levantamento indica que usuários com menor nível de escolaridade relataram ocorrências com maior frequência. Embora todos os grupos estejam sujeitos a ataques, o impacto negativo tende a ser significativamente maior entre os menos escolarizados.

Diante desse cenário, o coordenador defende que a promoção da cultura de proteção de dados precisa caminhar ao lado do desenvolvimento de habilidades digitais, visando construir um ambiente virtual mais seguro para toda a sociedade.

Inteligência artificial (IA)

A pesquisa analisou também o uso de inteligência artificial generativa. Embora o foco principal seja profissional ou acadêmico (73%), ferramentas de IA também são utilizadas para busca de apoio emocional, conselhos e companhia por parte dos internautas.

Outros usos envolvem preferências pessoais (58%), sentimentos (54%), dados de saúde (52%) e fotos (50%). Em menor escala estão informações financeiras (41%) e dados cadastrais como CPF e endereço (37%).

A maioria dos usuários de IA (66%) demonstra preocupação com o tratamento de seus dados pelas empresas desenvolvedoras. Esse número sobe para 72% entre pessoas com maior grau de instrução, refletindo a falta de transparência sobre o tema.

O compartilhamento de dados de saúde em plataformas de IA acende um alerta adicional. Por serem dados sensíveis, o especialista destaca a importância de regras claras sobre o armazenamento e acesso a essas informações médicas.

Empresas

No setor corporativo, 69% das empresas brasileiras pesquisadas afirmaram armazenar dados de clientes. A biometria é a informação mais armazenada (31%), seguida por dados de saúde (26%) e informações de menores de idade (9%).

O estudo apontou estabilidade nas estruturas formais de adequação à LGPD: 40% das empresas realizam reuniões específicas sobre privacidade, 32% contratam consultorias externas e apenas 16% nomearam um encarregado de proteção de dados (DPO).

Poder Público

No setor público, a presença de responsáveis por privacidade cresceu, puxada pelos municípios de até 10 mil habitantes. A proporção de órgãos públicos com estruturas dedicadas ao tema subiu de 36% em 2023 para 42% em 2025.

Órgãos do Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) apresentam maior nível de adequação do que o Executivo (74%). Na saúde pública, o investimento em segurança e treinamentos de equipes dobrou no período.

Nas escolas públicas, a preocupação com o roubo de dados de alunos é apontada por gestores como um obstáculo para a adoção de tecnologias educacionais, exigindo ações de capacitação de professores e funcionários.

A coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, reforçou que a responsabilidade não deve recair apenas sobre o usuário. Segundo ela, instituições públicas e privadas precisam garantir governança, transparência e segurança no tratamento das informações.

FONTE/CRÉDITOS: Cristina Índio do Brasil - repórter da Agência Brasil