O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, rebateu nesta quinta-feira (16/7), em coletiva de imprensa no Itamaraty, as declarações do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, sobre o presidente Lula. Vieira afirmou que o incômodo norte-americano reside na recusa do Brasil em "curvar-se" às exigências de Washington, especialmente em negociações comerciais.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, o que verdadeiramente desagrada o governo dos EUA são as "demandas irrazoáveis" e "pretensões desmedidas" apresentadas durante as tratativas. Ele citou como exemplo a exigência de abertura total e exclusiva da economia brasileira aos Estados Unidos, sem contrapartidas para produtos nacionais.

A declaração do chanceler surge após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciar uma nova tarifa de 25% sobre exportações brasileiras. Rubio havia justificado a retaliação econômica alegando que Lula colocou "seu próprio ego à frente de fazer um acordo" e que o Brasil não agiu de "boa-fé" nas negociações.

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Defesa do PIX e críticas às tarifas dos EUA

O USTR acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, incluindo o sistema de pagamentos instantâneos PIX. Contudo, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que os EUA registraram um superávit de US$ 7,5 bilhões (aproximadamente R$ 38 bilhões) no último ano.

A nova tarifa, prevista para entrar em vigor em 22 de junho, ocorre mais de um ano após a guerra comercial iniciada pela administração Trump, que chegou a taxar exportações brasileiras em 50%. Em carta ao governo brasileiro, o líder norte-americano mencionou, em parte, o julgamento de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) como justificativa para a medida.

Anteriormente, Eduardo Bolsonaro havia se dirigido aos EUA em busca de apoio da administração Trump contra o processo judicial de seu pai, o ex-presidente brasileiro.

FONTE/CRÉDITOS: Junio Silva and Alice Groth