A morte do advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, encontrado sem vida na Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, seis dias após seu desaparecimento, segue sob intensa investigação, com a defesa da família classificando o cenário como "muito confuso". A identidade do profissional foi oficialmente confirmada por familiares no Instituto Médico Legal (IML) da capital em 14 de julho, enquanto a principal hipótese levantada pela família é a de que ele tenha sido vítima do golpe "Boa Noite, Cinderela".

Marcelo Martins Ferreira, advogado que representa a família de Pedro Ely, concedeu entrevista ao Metrópoles e enfatizou a existência de inúmeras lacunas na reconstituição dos eventos que antecederam a morte do advogado. "Está tudo muito confuso", resumiu Ferreira, destacando a complexidade do caso.

Pedro Ely estava em São Paulo para uma breve temporada. Ele foi visto pela última vez na noite de 9 de julho, feriado da Revolução Constitucionalista de 1932, quando saiu para acompanhar partidas da Copa do Mundo em bares da Vila Madalena. Contudo, nas primeiras horas do dia 10, seu corpo foi encontrado na Rua Fradique Coutinho, desprovido de celular e documentos. A Polícia Civil classificou o registro inicial como morte suspeita.

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Advogado encontrado morto

O advogado carioca Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, estava desaparecido desde a madrugada de 10 de julho. Ele havia saído do hotel onde se hospedava com um amigo para assistir a um jogo da Copa do Mundo em um bar na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo.

A identidade do amigo que o acompanhava não foi divulgada. Pedro Ely, que residia sozinho na capital paulista, teria se sentido mal e falecido após deixar o estabelecimento.

Preocupados, os familiares registraram um boletim de ocorrência junto à Polícia Civil, solicitando investigações aprofundadas sobre o caso. Uma informação relevante obtida pela família é que, às 4h do dia 10 de julho, o celular de Pedro efetuou uma ligação para uma empresa de investimentos de sua carteira de clientes.

O registro de localização dessa chamada aponta para a região da Avenida Paulista. O corpo de Pedro foi localizado no Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo, onde sua identidade foi confirmada pelos parentes. A Polícia Civil paulista, que registrou o encontro do corpo em 14 de julho, prossegue com as diligências para esclarecer as circunstâncias da morte do advogado.

O que falta esclarecer

Marcelo Martins Ferreira, advogado da família, aponta que a principal dificuldade na investigação reside em reconstruir os últimos passos de Pedro. Permanece obscuro o trajeto entre a saída da Vila Madalena, a passagem por Moema – bairro na zona sul onde ele estava hospedado – e seu retorno à área onde foi encontrado sem vida.

A expectativa é que a análise de imagens de câmeras de segurança, registros de viagens por aplicativos e outras diligências policiais possam preencher essa lacuna temporal.

"Esse 'delay' de tempo é o checkmate da investigação. É aí que vai se encontrar a autoria do crime", declarou o advogado Marcelo Martins Ferreira, enfatizando a importância dessa etapa para a elucidação do caso.

Adicionalmente, as movimentações financeiras posteriores ao desaparecimento do advogado são um foco de apuração. Marcelo Martins revelou que houve uma tentativa frustrada de transferência via Pix no valor de R$ 9,8 mil, além de uma compra de R$ 20 em uma adega, efetuada com o cartão da vítima. Acredita-se que esses registros possam auxiliar na identificação de indivíduos que tiveram contato com Pedro nas horas que precederam sua morte.

Próximos passos

O advogado da família solicitou formalmente à Polícia Civil que intensifique a análise das imagens de câmeras de segurança, dos registros de corridas por aplicativo, das movimentações bancárias e do uso do cartão de crédito da vítima. Atualmente, o inquérito segue em segredo de Justiça, conforme pedido dos familiares.

Apesar de a causa exata da morte aguardar a conclusão dos laudos periciais, a defesa trabalha com a forte hipótese de que Pedro tenha sido vítima do golpe popularmente conhecido como "Boa Noite, Cinderela". Essa suspeita é reforçada pela ausência de lesões visíveis no corpo e pelas movimentações financeiras incomuns registradas após seu desaparecimento.

"Nós acreditamos que tenha sido um 'Boa Noite, Cinderela' e que quem aplicou isso exagerou na dose. Ele pode ter entrado em óbito por morte súbita", declarou Marcelo Martins Ferreira ao Metrópoles, detalhando a linha de raciocínio da defesa.

De acordo com o advogado, a provável intenção dos criminosos seria dopar Pedro para facilitar um roubo. "Como houve uma tentativa de Pix, a intenção, eu acredito, seria roubá-lo, extorqui-lo ou furtá-lo", explicou. Contudo, essa teoria ainda necessita de confirmação pelos resultados dos exames periciais e pelas diligências conduzidas pela Polícia Civil.

FONTE/CRÉDITOS: Julia Gandra