A China planeja lançar neste domingo (23) a expedição robótica Chang'e-7, um projeto focado na busca direta por água na Lua. A operação tem início previsto a partir das 21h (horário de Brasília), partindo do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang, localizado na ilha de Hainan, com o objetivo de investigar áreas sombreadas do polo sul lunar.

O foguete Longa Marcha 5 conduzirá o equipamento até a inserção orbital lunar, processo que deve durar cerca de cinco dias. A nave poderá operar por meses em órbita antes de realizar a alunissagem, cuja data exata ainda será definida pelas autoridades espaciais chinesas.

Evolução do programa espacial chinês

A trajetória de exploração espacial da China demonstra uma evolução constante. As missões Chang'e-1 e 2 foram apenas orbitadores, enquanto a Chang'e-3 realizou o primeiro pouso robótico do país em 2013, acompanhada pelo rover Yutu.

Publicidade

Leia Também:

Em 2019, a Chang'e-4 alcançou o inédito pouso no lado oculto da Lua. Anos depois, a Chang'e-5 recolheu amostras do solo lunar em 2020, feito repetido em 2024 pela Chang'e-6, que trouxe material inédito da face oculta. A Chang'e-7 representa a primeira iniciativa voltada especificamente ao polo sul.

A importância estratégica do polo sul lunar

Detectores remotos indicam a presença de depósitos de gelo no fundo de crateras que nunca recebem luz solar direta. A confirmação desse recurso é vital para o consumo humano de futuras equipes, além de permitir a produção de oxigênio e hidrogênio para uso como combustível de foguetes em missões mais profundas.

Entretanto, a forma exata e a viabilidade técnica de extração desses recursos continuam desconhecidas. Como nenhuma sonda realizou análises diretas na superfície até o momento, os cientistas ainda não sabem se o elemento está retido em grãos, em blocos de gelo ou diluído no solo.

A tecnologia da missão Chang'e-7

A arquitetura da missão conta com quatro elementos integrados: um orbitador, um pousador, um rover e um veículo saltador. O alvo principal é a borda da cratera Shackleton, uma formação de 21 quilômetros de diâmetro onde o interior permanece escuro e a borda possui iluminação solar quase contínua.

O pousador buscará uma alunissagem de alta precisão em uma margem inferior a cem metros. A localização estratégica visa garantir energia solar aos painéis e, ao mesmo tempo, oferecer acesso rápido às áreas sombreadas da cratera.

O funcionamento do saltador e análise do solo

Como a ausência de atmosfera impede voos convencionais na Lua, o saltador utiliza propulsão de foguete para se deslocar. O dispositivo entrará no fundo da cratera e usará o espectrômetro Luwa para detectar gelo e avaliar compostos na superfície.

Na sequência, uma perfuratriz coletará amostras do solo a até um metro de profundidade. O material será aquecido a mais de 200 graus Celsius em uma câmara especial, permitindo que espectrômetros identifiquem a composição química e a origem da água evaporada.

Além do saltador, a frota possui instrumentos avançados. O orbitador carrega câmeras de altíssima resolução, radar de abertura sintética e experimentos desenvolvidos por parceiros internacionais, enquanto o pousador e o rover levam sismógrafos, radares e medidores de campos magnéticos.

Disputa internacional e bases lunares

A Chang'e-7 antecede a Chang'e-8 no planejamento para a construção da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), idealizada para a década de 2030. Paralelamente, os Estados Unidos pretendem erguer sua própria base no polo sul por meio do programa Artemis.

A corrida por posições estratégicas reforça lacunas no Tratado do Espaço de 1967. Embora o documento proíba a apropriação de corpos celestes por países, restam indefinições jurídicas sobre os limites práticos para a exploração de recursos por potências globais.

FONTE/CRÉDITOS: Fernando Henrique - Estágio DM