Manter a atividade física regular durante os meses de inverno apresenta desafios particulares, com muitos adultos globais, que já não atingem o mínimo recomendado, enfrentando dificuldades adicionais. O frio intensifica obstáculos como a tentação de permanecer na cama, a diminuição da motivação e a procrastinação de início de treinos para épocas mais quentes, impactando negativamente a saúde e o bem-estar.

O recomeço após um período prolongado de sedentarismo invernal é consideravelmente mais árduo do que a manutenção de um ritmo de exercícios, mesmo que reduzido, ao longo da estação. A inatividade prolongada dificulta a retomada e pode levar à desmotivação.

A biologia explica a queda na motivação durante o inverno. A menor exposição à luz solar eleva a produção de melatonina, hormônio associado ao sono e ao repouso. Simultaneamente, a redução nos níveis de serotonina, neurotransmissor ligado ao bom humor e à disposição, contribui para a sensação de lentidão e desânimo característica da estação.

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Adicionalmente, as baixas temperaturas causam rigidez muscular e lentidão nas respostas articulares. O simples ato de sair de um ambiente aquecido para se exercitar, somado ao desconforto inicial do frio no corpo durante os primeiros minutos de atividade, pode levar o cérebro a inibir a prática.

A estratégia subestimada: ajuste do horário

As manhãs frias de inverno representam o momento menos propício para iniciar a rotina de exercícios. A temperatura corporal está em seu ponto mais baixo, os músculos ainda estão frios e a cama oferece seu máximo conforto, tornando a saída um desafio.

Uma alteração simples e eficaz consiste em transferir os treinos para o meio do dia ou o final da tarde, períodos em que a temperatura ambiente se eleva e o corpo já se encontra mais ativado. Para aqueles com horários inflexíveis, a preparação antecipada, como deixar roupas e equipamentos prontos na noite anterior, pode minimizar barreiras e aumentar a probabilidade de o exercício ser realizado.

Um benefício pouco conhecido é que o treino no frio pode aumentar o gasto calórico. O corpo necessita de mais energia para manter sua temperatura interna estável em ambientes frios, ativando a termogênese, um processo que consome calorias adicionais às demandadas pelo próprio exercício. Assim, a mesma atividade física pode resultar em um gasto energético ligeiramente superior no inverno.

Embora não seja uma diferença drástica, este efeito é real e contrapõe a ideia de que o frio é apenas um obstáculo para a prática de exercícios.

Os treinos ideais para dias frios

Determinados tipos de atividades físicas são particularmente adequados para o inverno, combinando eficiência e facilidade de adaptação à rotina, independentemente das condições climáticas externas.

A musculação destaca-se como uma escolha consistente para o período frio. Realizada em ambientes fechados, ela promove o aquecimento corporal rápido, trabalha amplos grupos musculares e estimula o efeito de aumento do metabolismo pós-treino, mantendo o corpo em queima calórica por horas.

O Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), que alterna picos de esforço com breves períodos de recuperação, é uma excelente opção para quem dispõe de pouco tempo. Sessões de 20 a 30 minutos podem oferecer resultados comparáveis a treinos mais longos, aquecendo o corpo eficazmente e ajudando a superar o desconforto inicial do frio.

Para quem prefere atividades de menor impacto, yoga e pilates são modalidades muito benéficas. O frio tende a aumentar a tensão muscular e a rigidez articular, e essas práticas focam justamente no alongamento e na mobilidade. Podem ser realizadas em casa, eliminando a necessidade de deslocamento.

Opções como dança, artes marciais, aulas coletivas e ciclismo indoor também oferecem alternativas para se exercitar em ambientes cobertos, sem abrir mão do movimento.

O aquecimento no inverno é indispensável. Um equívoco comum é encurtar ou omitir essa etapa crucial, aumentando o risco de lesões devido à rigidez muscular e à circulação mais lenta. No frio, o aquecimento deve ser mais prolongado, com pelo menos dez minutos de movimentos leves e progressivos antes de iniciar qualquer atividade de maior intensidade.

Mais do que a modalidade escolhida, a persistência no treino invernal é sustentada por objetivos claros. Pessoas com metas definidas – seja manter o condicionamento, controlar o peso, gerenciar o estresse ou melhorar a qualidade do sono – tendem a superar as dificuldades impostas pelo frio com mais facilidade do que aquelas sem um propósito específico.

Praticar exercícios com um parceiro também oferece um suporte significativo, pois o compromisso mútuo atua como um motivador para evitar a desistência em dias de baixa disposição. E, fundamentalmente, não existe um treino perfeito; uma caminhada de 30 minutos em um dia frio é mais valiosa do que o treino ideal que deixou de ser realizado por causa da baixa temperatura.

FONTE/CRÉDITOS: Juliana Andrade