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Diante do avanço do aquecimento global, o cientista político Ricardo Guedes analisa a grave crise ecológica atual e alerta que as decisões econômicas da humanidade priorizam o crescimento do PIB em detrimento da própria sobrevivência global.
Para fundamentar a análise, o autor cita Adam Przeworski, que conceituou o erro nas Ciências Sociais a partir de uma relação tripartite entre metas, decisões tomadas e condições externas. Sob essa ótica, focar apenas na expansão do PIB representa um equívoco fatal diante dos limites físicos do planeta Terra.
A atmosfera possui apenas 10 km de ar concentrado, enquanto o consumo individual de água quadruplicou no último século. Além disso, as reservas petrolíferas durarão no máximo entre 150 e 300 anos, e o acúmulo de CO2 fez a temperatura atingir patamares de 1 milhão de anos atrás, com previsão de subir até 2 ºC até o fim do século.
Os obstáculos para uma ação coletiva
A superação do problema ambiental é travada pela competição entre países e atores econômicos em diferentes níveis de liquidez. Baseando-se na Teoria dos Jogos, a busca pela sobrevivência imediata impede uma resposta coletiva e racional, resultando no esgotamento prematuro dos recursos naturais, como registrado no Overshoot Day do dia 30 de julho de 2026.
Com um comportamento imediatista voltado ao lucro, a sociedade e as elites ignoram que a própria sobrevivência depende de ecossistemas e estruturas produtivas organizadas. Sem essa percepção, o futuro caminhará para um colapso gradual e inevitável, de forma similar ao retratado em obras clássicas da arte e do cinema.
Ricardo Guedes é doutor pela Universidade de Chicago e autor da obra "Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança".
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