O governo dos Estados Unidos sinalizou que pode rever a redução na cota do açúcar destinado ao Brasil caso as autoridades brasileiras apresentem contrapropostas comerciais satisfatórias. A declaração foi feita pelo vice-secretário de Agricultura norte-americano, Stephen Vaden, durante o Simpósio Internacional de Adoçantes, em Michigan, em meio às recentes tensões tarifárias entre as duas nações.

A sinalização de Vaden foi transmitida por mensagem oficial da Embaixada do Brasil em Washington ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Na ocasião, o representante do USDA ressaltou que as tarifas aplicadas ao excedente de açúcar importado permanecem desatualizadas há 26 anos, defendendo medidas de proteção aos produtores de cana e beterraba do país norte-americano.

Segundo o diplomata, políticas trabalhistas adotadas pelo Brasil e pela China colocam a concorrência em patamar desfavorável para a indústria estadunidense. Reportagens da imprensa local citam estimativas da Michigan Farm News de que práticas comerciais tidas como desleais causaram impactos bilionários no setor agrícola norte-americano.

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Embora o produto brasileiro tenha ficado de fora da sobretaxa adicional de 12,5% anunciada em julho, mantendo-se a tarifa base de 25%, o USTR reduziu o volume com desconto tarifário. O teto garantido na cota caiu de 156 mil para 100 mil toneladas, representando uma retração de 36% para o ciclo fiscal de 2027.

Com essa mudança, todo o volume de açúcar bruto, refinado ou contido em derivados que ultrapassar o limite fixado estará sujeito a uma taxa de 37,5%. O aperto nas condições afeta diretamente as margens dos exportadores brasileiros que abastecem o mercado dos EUA.

Posicionamento do governo brasileiro

Em nota oficial, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que acompanha o caso por meio da Adidância Agrícola em Washington. A pasta ressaltou que os informes da diplomacia servem para monitorar oportunidades e desafios no exterior, enfatizando que as manifestações públicas de autoridades locais não configuram, até o momento, uma decisão formal do USTR.

FONTE/CRÉDITOS: Lorena Pacheco