O influenciador digital Hytalo Santos foi condenado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região ao pagamento de R$ 60 mil em indenizações por assédio moral e sexual a dois ex-seguranças de sua equipe. A decisão responsabiliza solidariamente seu marido, Israel Vicente, e suas empresas, reconhecendo a submissão dos trabalhadores a condições degradantes e condutas abusivas no ambiente de trabalho.

Indenizações e relatos de assédio

Os processos trabalhistas, que tramitam em segredo de Justiça, foram movidos pelos ex-funcionários Diego Galdino e Elidinaldo Araújo. Para cada um dos profissionais, a Justiça do Trabalho fixou uma reparação de R$ 30 mil por danos morais.

Nos autos, as vítimas relataram episódios graves. Uma testemunha confirmou ter presenciado o criador de conteúdo realizando toques físicos indesejados e invasivos enquanto um dos seguranças dirigia. Segundo o texto da decisão, a situação causava constante angústia e constrangimento ao trabalhador.

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Além disso, depoimentos indicaram que o influenciador costumava circular de calcinha diante dos empregados e agir de forma agressiva sob efeito de álcool. A equipe também era submetida a instalações insalubres, sendo forçada a utilizar um sanitário externo sem higiene e sob excessiva vigilância por câmeras.

Reconhecimento de vínculo empregatício

A Justiça declarou a nulidade das escalas informais de trabalho de 24x72 horas, reconhecendo o vínculo de emprego direto dos seguranças. Com isso, os réus foram condenados a assinar as carteiras de trabalho e a pagar retroativamente todas as verbas rescisórias devidas aos ex-colaboradores.

Entre os direitos garantidos estão horas extras, adicional noturno, depósitos de FGTS com multa de 40%, aviso prévio, férias e 13º salário. Para um dos profissionais, foi determinado também o pagamento de adicional de periculosidade de 30%, enquanto a outra ação teve liquidação estipulada em R$ 119,9 mil.

Posicionamento da defesa e prisão preventiva

Em nota, a defesa de Hytalo Santos declarou que vai recorrer das decisões de primeiro grau, sustentando que os fatos não correspondem à realidade. Os advogados enfatizaram a existência de decisões favoráveis anteriores e reforçaram que os processos seguem sob sigilo judicial.

Atualmente, o influenciador e o marido permanecem presos preventivamente no Presídio do Róger, em João Pessoa, desde agosto do ano passado. Além das demandas trabalhistas, eles respondem a processos por suspeita de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.

FONTE/CRÉDITOS: José Augusto Limão