A alteração no calendário oficial do Carnaval de BH para 2027 provocou uma grave crise entre agremiações tradicionais e a Belotur. A decisão de transferir as apresentações das escolas de samba e dos blocos caricatos para a Quaresma gerou reações imediatas, com grupos ameaçando boicotar a festa e acionando o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra a votação.

O impasse teve início após uma reunião na sede da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), onde a alteração foi aprovada por 13 votos a 9. Pelo novo planejamento, os desfiles ocorreriam de 12 a 14 de fevereiro de 2027, logo após a terça-feira gorda. No entanto, agremiações históricas afirmam que não foram notificadas sobre o pleito.

Tradição religiosa e receio de prejuízos

O bloco Leão da Lagoinha, fundado em 1947 e tradicional responsável por abrir a programação oficial, já anunciou que não entrará na avenida se a decisão for mantida. O presidente da agremiação, Jairo Nascimento Moreira, argumentou que grande parte dos integrantes e do público guarda a Quaresma por razões de fé católica ou de Umbanda.

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Além do aspecto religioso, os organizadores ressaltam os possíveis impactos financeiros da medida. A realização das festividades fora da data oficial pode afastar foliões, reduzindo significativamente o movimento no comércio local e prejudicando os trabalhadores ambulantes que dependem do evento.

Falta de transparência e quebra de acordos

A transparência do processo decisório foi veementemente questionada pela Liga Independente das Escolas de Samba de Minas Gerais (LIES-MG) e por representantes de blocos caricatos. Há relatos de articulações prévias antes da votação, além da ausência de relatórios técnicos que comprovem a viabilidade da transferência.

Outro ponto de atrito envolve o descumprimento de promessas antigas. As entidades aceitaram mudar os desfiles da Avenida Afonso Pena para a Avenida dos Andradas sob o compromisso de ganharem um terceiro dia de apresentações e melhor infraestrutura, algo que não foi concretizado pela administração municipal.

Ação no Ministério Público e mobilização popular

Para tentar reverter a mudança, uma representação assinada pela Associação Brasil Legal foi protocolada no MPMG. O documento solicita a revisão das regras, a preservação dos desfiles como patrimônio cultural imaterial da capital mineira e a garantia de recursos para a realização das apresentações no período correto.

Paralelamente à ação jurídica, os carnavalescos preparam a coleta de assinaturas presenciais na Praça Sete para envolver a população no debate. A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte e o MPMG para se manifestarem sobre os questionamentos, mas ainda não obteve resposta.

FONTE/CRÉDITOS: Larissa Ricci