A PF (Polícia Federal) investiga um suposto encontro ocorrido em Brasília, no início de 2023, entre o senador Rodrigo Pacheco e o dirigente de uma entidade suspeita de desvios no INSS. O relatório aponta que a reunião teria como pauta a nomeação da presidência do órgão previdenciário, embora o senador não tenha sido indiciado no inquérito que apura fraudes bilionárias.

De acordo com as investigações, o diálogo teria ocorrido em 1º de fevereiro de 2023, data da eleição para a presidência do Senado. A PF afirma ter acessado mensagens que comprovam o contato de Carlos Lopes, presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), com Pacheco para tratar da gestão da autarquia.

Esquema de propinas e influência política

Carlos Lopes é apontado pelos investigadores como figura central em um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados. Ele teria repassado R$ 14,7 milhões em propinas ao deputado Euclydes Pettersen, que atuaria como ponte para facilitar o acesso do grupo a políticos influentes.

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A assessoria de Rodrigo Pacheco refutou veementemente as informações do relatório. Em nota, o senador afirmou que não conhece Carlos Lopes e que jamais participou de tratativas sobre cargos no INSS. A defesa alega ainda que a polícia interpretou de forma equivocada mensagens trocadas entre terceiros.

Indiciamento de parlamentar e desdobramentos

O deputado federal Euclydes Pettersen foi indiciado sob suspeita de ser o articulador parlamentar do grupo criminoso. A PF sustenta que o congressista mineiro recebia valores vultosos da Conafer para exercer influência política em favor da entidade dentro do governo federal.

Pettersen também nega qualquer envolvimento em irregularidades. O parlamentar destacou que o indiciamento é uma medida unilateral da autoridade policial e que não existe, até o momento, uma ação penal ou condenação, reafirmando que nunca indicou nomes para cargos técnicos no instituto.

Origem da Operação Sem Desconto

As irregularidades no INSS vieram à tona após investigações jornalísticas revelarem que entidades associativas faturaram cerca de R$ 2 bilhões em um ano com descontos não autorizados. O caso motivou a abertura de inquéritos pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

A ofensiva policial, batizada de Operação Sem Desconto, resultou no indiciamento de dezenas de pessoas e gerou uma crise institucional na Previdência Social. O esquema baseava-se na fragilidade dos sistemas de controle para realizar filiações fraudulentas de segurados em massa.

FONTE/CRÉDITOS: Raphael Veleda