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A candidata à Presidência da República Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o novo plano de governo da UP para as eleições. O documento de 67 páginas propõe uma reestruturação profunda do modelo econômico brasileiro, com foco na superação do capitalismo e na transição para o socialismo através de medidas de forte impacto social.

Entre as principais bandeiras apresentadas pela chapa, que é composta exclusivamente por mulheres, destaca-se o aumento imediato de 100% no salário mínimo nacional. Com a medida, o piso salarial do trabalhador brasileiro saltaria dos atuais R$ 1.621 para R$ 3.242. Além disso, a legenda propõe a extinção da jornada de trabalho 6x1, instituindo a escala 4x3 sem redução salarial.

A candidatura traz Samara Martins, cirurgiã-dentista de 38 anos e servidora do SUS no Rio Grande do Norte, como cabeça de chapa. A vice-presidência é ocupada por Raquel Brício, de 34 anos, dirigente sindical e guarda portuária no Pará. O partido, de esquerda radical, foi fundado em 2016 e busca centralizar o debate na soberania nacional e no controle público da economia.

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Nacionalização e controle da economia

Na esfera financeira, a proposta prevê a suspensão imediata do pagamento da dívida pública, seguida de uma auditoria cidadã. Segundo a UP, essa medida liberaria aproximadamente R$ 2 trilhões para investimentos em áreas sociais prioritárias. O plano também defende a estatização de todo o sistema financeiro nacional e a perda de autonomia do Banco Central (BC).

O programa de governo da UP detalha ainda a reestatização de gigantes como a Petrobras, a Eletrobras e a Vale, que retornariam ao controle integral do Estado. A proposta veta novas privatizações e sugere a revisão de concessões de rodovias, portos e aeroportos, além de estatizar o transporte público urbano e linhas de trens e metrôs.

Reformas sociais, segurança e tributação

No campo tributário, o partido planeja isentar trabalhadores do Imposto de Renda e zerar tributos sobre a cesta básica. Em contrapartida, propõe uma taxação progressiva sobre grandes fortunas, heranças de bilionários e lucros. O plano também defende a reforma agrária popular, a demarcação de terras indígenas e quilombolas, e a descriminalização e legalização do aborto.

Por fim, a reforma na segurança pública prevê a desmilitarização das polícias. No Poder Judiciário, a UP propõe a eleição direta para juízes e integrantes de tribunais superiores, além do fim de benefícios salariais que excedam o teto constitucional. No setor de comunicação, o plano prevê a estatização de monopólios de rádio e televisão.

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil