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Três ordens de prisão temporária e treze mandados de busca e apreensão estão sendo executados.
A Polícia Civil de Goiás iniciou, nesta terça-feira (26/5), a Operação Cultura Em(Cena). A ação investiga supostos desvios de verbas públicas destinadas à área da Cultura em Goiânia, ocorridos durante a administração anterior. A investigação é conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR) e tem como alvo uma organização criminosa composta por indivíduos e funcionários públicos.
Foram cumpridos três mandados de prisão temporária e treze de busca e apreensão nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia. Medidas judiciais de quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados foram determinadas, assim como a proibição de firmar contratos com o poder público. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações indicam que, especialmente durante o ano de 2024, sob a gestão municipal passada, os suspeitos teriam criado empresas de fachada e contas bancárias para se apropriar e desviar recursos públicos. Esses fundos teriam origem em contratações diretas, sem licitação, firmadas com a então Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.
A corporação relatou que pelo menos 41 pagamentos, totalizando R$ 1.500.576,32, foram feitos a empresas com o pretexto de remunerar profissionais como artistas, produtor de palco, diretor logístico e diretor executivo. Os serviços supostamente prestados seriam para eventos de exposição de carros antigos organizados por um clube da capital.
A Polícia Civil informou ainda que os pagamentos foram realizados em sequência e, em muitos casos, no mesmo dia e com valores idênticos. As empresas investigadas, segundo a polícia, eram recém-criadas e não possuíam histórico de mercado, estrutura ou equipe. A suposta sede dessas empresas coincidia com as residências dos envolvidos.
As investigações sugerem que tanto os proprietários das empresas quanto os profissionais supostamente contratados possuíam ligações com o clube organizador dos eventos, incluindo diretores, familiares e amigos.
A Polícia Civil sustenta que as evidências coletadas apontam que o dinheiro público era repassado aos agentes públicos envolvidos, tanto de forma direta quanto indireta, inclusive através do pagamento de despesas pessoais. Segundo a DECCOR, o esquema funcionava como um “ecossistema criminoso”, utilizando empresas e contratos como meio para o desvio e a apropriação contínua de verbas públicas.
A reportagem buscou contato com a Prefeitura de Goiânia. A administração atual emitiu o seguinte comunicado:
“A Prefeitura de Goiânia esclarece que a operação da Polícia Civil, deflagrada nesta terça-feira (25/5), tem como objetivo o cumprimento de mandados relacionados a ações ocorridas na gestão anterior, não possuindo qualquer relação com a atual administração municipal.
A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade na aplicação dos recursos públicos e o respeito à população goianiense, não compactuando com quaisquer práticas que possam causar prejuízos aos cofres públicos ou à sociedade.”
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