Um tubarão bioluminescente capaz de gerar a própria luz pode utilizar essa característica não apenas para se ocultar, mas também para achar alimento nas profundezas marinhas. Dados recentes apontam que o tubarão-lixa-negro (Dalatias licha), maior vertebrado com essa capacidade, emite luminosidade direcionada para enxergar presas ao redor.

O achado foi divulgado em um estudo publicado na revista científica iScience. Conduzida por biólogos da Université Catholique de Louvain, na Bélgica, a investigação examinou a forma como a luz gerada pelo animal se distribui pelo corpo.

Nas profundezas do oceano, a luz solar é extremamente escassa. Ainda assim, um organismo visto de baixo pode projetar uma silhueta escura contra a claridade residual da superfície.

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Algumas espécies resolvem esse desafio emitindo luz na região inferior do corpo. O brilho atenua o contraste da silhueta, facilitando a camuflagem no ambiente.

No entanto, no Dalatias licha, os cientistas constataram que a luz não se restringe às áreas voltadas para a camuflagem, sugerindo novos propósitos.

Para compreender o fenômeno, a equipe avaliou oito exemplares vivos capturados na região de Chatham Rise, a leste da Nova Zelândia.

Os pesquisadores aferiram a intensidade, a coloração e a direção da luz emitida. A luminosidade apresentou tom azul-esverdeado, com pico próximo de 491 nanômetros.

A hipótese central é que a luz lateral ilumina o entorno, auxiliando o animal a localizar presas na escuridão das profundezas.

Como o Dalatias licha é um nadador lento, essa estratégia facilitaria a aproximação discreta de animais mais ágeis, como cefalópodes e outros tubarões.

Apesar das evidências, a pesquisa não registrou diretamente um tubarão utilizando o brilho para caçar. Novos estudos no habitat natural são necessários para confirmar essa função.

FONTE/CRÉDITOS: Isabella França