Deivid Plácido de Oliveira Dias, um falso policial militar, foi novamente denunciado em Goiás por aplicar um golpe financeiro que ultrapassa os R$ 50 mil. A nova vítima, identificada como Ana (nome fictício), revelou ter sido alvo de intensa manipulação emocional por cerca de um ano e meio, período em que o suspeito se aproveitou de seu luto pela perda do filho para extorquir valores e consolidar sua influência.

A repercussão da recente prisão de Deivid, que utilizava imagens geradas por inteligência artificial para simular ser um agente de segurança pública, motivou Ana a procurar a Polícia Civil. Ela percebeu que não estava sozinha e que a vergonha não deveria impedi-la de buscar justiça.

Aproveitamento da vulnerabilidade e luto

Ana relatou que Deivid soube explorar um dos momentos mais frágeis de sua vida. "Ele se aproveitou muito desse momento. Meu filho era meu braço direito, dormia comigo, me ajudava em tudo. Eu estava destruída emocionalmente e ele sabia disso", desabafou a vítima.

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O suspeito teria, inclusive, usado a tragédia para intensificar sua pressão psicológica. "Ele dizia que a morte do meu filho era uma punição de Deus para mim. Hoje eu percebo o quanto fui manipulada", acrescentou Ana, destacando a crueldade da estratégia.

A decisão de denunciar veio após Ana testemunhar a prisão de Deivid e perceber que outras mulheres também haviam sido enganadas. "Eu não denunciei antes por vergonha. Mas quando vi outra mulher passando pela mesma situação, pensei que, se eu tivesse falado antes, talvez ela não tivesse sofrido esse prejuízo. Ficar calada também é ser omissa", afirmou.

A construção de uma identidade falsa

A estratégia de Deivid não se limitava a se passar por policial militar usando inteligência artificial. "Ele se passava por policial para atrair mulheres, mas não é só isso. Ele também se passava por um evangélico exemplar, um homem que cuidava do pai acamado, que se preocupava com a família", explicou Ana.

Para conferir credibilidade à sua persona, o falso PM exibia fotos em aplicativos de relacionamento e redes sociais com uniformes semelhantes aos da Polícia Militar. Ele também apresentava supostos contracheques, falava sobre promoções e narrava situações fictícias de serviço.

Ana conta que o suspeito utilizava até mesmo vídeos do próprio pai para sensibilizar as pessoas e reforçar sua imagem de bom filho e homem de família. "Hoje eu vejo que tudo isso fazia parte da imagem que ele criava para ganhar confiança", declarou.

Embora Deivid alegue ter criado as imagens de policial por uma situação específica envolvendo outra mulher, Ana refuta essa versão. "Essa história de policial existia desde quando eu o conheci, em 2024", pontuou, indicando que a farsa era de longa data.

Pedidos de dinheiro e extorsão

Os pedidos de dinheiro, segundo a vítima, começaram nos primeiros meses do relacionamento e se tornaram constantes. "Era o tempo inteiro. Ele dizia que estava trabalhando, que o cartão tinha sido bloqueado, que precisava resolver uma emergência", detalhou Ana.

As justificativas para as transferências eram variadas e muitas vezes dramáticas. "Falava que tinha atirado em alguém em serviço, que precisava indenizar vítimas ou familiares. Eu acreditava porque achava que ele realmente era policial", revelou a mulher.

Ao formalizar a denúncia, Ana entregou à Polícia Civil registros de transferências bancárias, que comprovam parte dos valores enviados ao suspeito, fortalecendo as evidências contra Deivid Plácido de Oliveira Dias.

FONTE/CRÉDITOS: Radar Valparaíso