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O julgamento do caso Henry Borel, realizado no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, atingiu seu oitavo dia consecutivo nesta segunda-feira (1º), consolidando-se como a sessão mais extensa da história do judiciário fluminense. O processo investiga a morte do menino de 4 anos ocorrida em março de 2021, tendo como acusados o ex-vereador Dr. Jairinho e a mãe da vítima, Monique Medeiros.
Com a duração atual, o certame ultrapassou o tempo de julgamento da ex-deputada Flordelis, ocorrido em 2022. Naquela ocasião, a ex-parlamentar recebeu uma pena superior a 50 anos pelo homicídio do marido, o pastor Anderson do Carmo.
Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva respondem criminalmente pelo óbito de Henry. À época dos fatos, Jairinho exercia seu quinto mandato como vereador e era padrasto do menino. A acusação do Ministério Público sustenta que a criança faleceu após agressões do ex-parlamentar, com a omissão da mãe.
Análise técnica do perito do IML
Durante a tarde desta segunda-feira, o plenário ouviu o perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairo. Tauil foi o responsável por assinar o laudo cadavérico no Instituto Médico Legal (IML) e é a 21ª pessoa a prestar depoimento aos jurados neste processo.
O especialista ratificou que a causa da morte foi uma hemorragia interna decorrente de lesão hepática por ação contundente. Ele relatou ter participado de seis complementações do laudo e visitado o apartamento onde o crime teria ocorrido.
Segundo Tauil, não foram encontrados móveis no local que pudessem ter causado a lesão fatal. Essa conclusão contesta a versão inicial de Jairinho e Monique, que alegavam um acidente doméstico por queda da cama. Sobre divergências formais no laudo, como a cor dos olhos do menino, o perito classificou-as como lapsos administrativos.
Durante a exibição de fotos do corpo da vítima, Monique Medeiros optou por deixar o plenário, repetindo o comportamento da última sexta-feira (29), quando outro perito prestava esclarecimentos técnicos sobre o caso.
Histórico de testemunhos e acusações
Desde o início dos trabalhos, em 25 de maio, o tribunal ouviu testemunhas de acusação, defesa e do juízo. Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação, depôs contra o ex-casal, afirmando acreditar na responsabilidade compartilhada de ambos pela morte do filho.
O júri também ouviu relatos de ex-namoradas de Jairinho, que descreveram episódios de violência contra seus próprios filhos no passado. Em contrapartida, o irmão de Monique, Bryan Medeiros, apresentou um relato sobre o convívio familiar afetuoso da ré.
Um dos depoimentos mais impactantes foi o da babá Thayná de Oliveira Ferreira. Ela confirmou ter alertado Monique sobre suspeitas de agressões e revelou que, após o falecimento de Henry, foi instruída pela patroa a apagar o histórico de mensagens entre as duas.
Expectativa para o interrogatório dos réus
A previsão jurídica é que a fase de testemunhas termine ainda hoje, reservando a terça-feira (2) para o interrogatório dos acusados. Por meio de uma liminar, a defesa de Jairinho garantiu que ele seja ouvido somente após o depoimento de Monique Medeiros.
Os advogados do ex-vereador consideram essa ordem essencial para a plenitude de defesa. Já a equipe de Monique declarou que ela está pronta para falar a qualquer momento. Os debates finais devem ocorrer na quarta-feira (3), com a sentença esperada para a madrugada de quinta-feira (4).
Funcionamento do Conselho de Sentença
O destino dos réus será decidido por sete jurados (cinco homens e duas mulheres). Eles permanecem isolados no Tribunal de Justiça, sem acesso a redes sociais ou notícias, e são vigiados durante o pernoite em alojamentos próprios da instituição.
A sessão é conduzida pela juíza Elizabeth Machado Louro. O veredito ocorre por maioria simples e, em caso de condenação, cabe à magistrada definir o tempo total da pena. Confira a lista de algumas testemunhas já ouvidas:
- Delegados Edson Damasceno e Ana Carolina Medeiros;
- Psiquiatras e médicos assistentes;
- Ex-namoradas e funcionários dos réus;
- Leniel Borel (pai da vítima) e familiares dos acusados;
- Thayná de Oliveira Ferreira (babá).
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