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A Polícia Federal (PF) enviou um relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da operação sem refino, apontando que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), agia como o verdadeiro dono de uma mansão em Petrópolis registrada em nome de terceiros.
De acordo com os investigadores, mensagens encontradas no celular de Castro revelam sua participação direta nas decisões sobre reformas na propriedade. Os diálogos constam em documentos enviados ao ministro Alexandre de Moraes, detalhando o monitoramento de obras no condomínio Locanda Residenze.
Embora usufruísse do local, a residência de alto padrão estava sob a titularidade de uma rede de blindagem patrimonial associada ao empresário Luiz Fernando Gomes. Investigações mostram que as empresas de Gomes receberam R$ 355,2 milhões em contratos públicos durante o mandato de Castro.
Mensagens revelam controle da obra
A PF identificou conversas frequentes entre o político e Luciano Medeiros, encarregado de repassar atualizações sobre o andamento dos serviços, entrega de refeições e a recepção de convidados. Em fevereiro de 2024, Medeiros enviou fotos da estrutura e informou sobre a finalização das paredes.
O ex-governador também orientava pessoalmente a disposição das garrafas na adega climatizada. "Lembra, eu quero tudo mais deitado, uma boa parte que eu possa saber o que eu tenho", escreveu Castro. Para a PF, a postura do político demonstrava claros poderes de administração sobre o patrimônio oculto.
Em março, Castro cobrou o andamento das intervenções perguntando a Medeiros: "Como tá a minha obra?". Em resposta, o funcionário enviou imagens do projeto da adega e questionou se poderia realizar o orçamento. Com a aprovação do político, a proposta comercial foi fechada em R$ 245 mil.
A perícia técnica da PF localizou ainda arquivos digitais nomeados internamente como "AP Adega Claudio Castro", apesar de o título oficial do documento tentar disfarçar a propriedade. A investigação detalhada faz parte das diligências enviadas ao STF para apurar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
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