A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apresentou nesta terça-feira (3), em audiência pública na Câmara dos Deputados, a defesa pela proibição de voos para passageiros que apresentem comportamento disruptivo e coloquem em risco a segurança das operações aéreas. Tiago Faierstein, diretor-presidente da agência, participou do debate na Comissão de Viação e Transportes.

De acordo com Faierstein, os incidentes relacionados à indisciplina a bordo e em aeroportos registraram um crescimento de 70% nos últimos dois anos. Exemplos citados incluem:

  • Agressões verbais e físicas contra tripulantes;
  • Danos a equipamentos em terminais aeroportuários;
  • Casos de importunação sexual;
  • Falsas ameaças de bomba.

"São quase seis ocorrências diárias", destacou o diretor, ressaltando a urgência da medida. "Não podemos aguardar um evento mais grave, como uma fatalidade ou um ferimento em criança, para estabelecermos as normas", argumentou.

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Dados divulgados pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) indicam que em 2025 foram registrados 1.764 incidentes com passageiros indisciplinados. Deste total, 288 episódios foram classificados como de risco direto à segurança, como agressões físicas.

Regulamentação em desenvolvimento

A Anac está em fase final de elaboração de uma regulamentação específica para o tema, fundamentada na Lei 14.368/22, conhecida como Lei do Voo Simples. O dispositivo legal já autoriza a restrição da venda de passagens para indivíduos que representem ameaça à segurança aérea.

Leonardo de Souza, diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, sublinhou a necessidade de um ambiente seguro e sem improvisos nas aeronaves, traçando um paralelo com o setor esportivo. "Se um torcedor causa violência em um estádio, ele é impedido de retornar. Da mesma forma, quem compromete a segurança de um voo não deveria ter a permissão de embarcar em outra companhia no dia seguinte", ponderou.

Segurança e sanções

Rodrigo Borges Correia, chefe de serviços de segurança aeroportuária da Polícia Federal, apontou a indisciplina como o principal desafio atual para a segurança na aviação. Ele acredita que a aplicação de sanções mais rigorosas pode desencorajar comportamentos inadequados, de maneira similar ao impacto da Lei Seca no trânsito.

O deputado Claudio Cajado (PP-BA), presidente da comissão, manifestou apoio à iniciativa da Anac. "É preciso uma punição severa para quem desrespeita o direito dos outros. Que essas pessoas busquem outro meio de transporte que ofereça menos riscos aos demais passageiros", declarou.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias